A guinada agressiva em direção à proteção foi uma resposta direta a uma severa dor financeira. O Monitor de Hedge Corporativo do quarto trimestre de 2025 da MillTech revelou que 80% das empresas sofreram perdas diretas com a exposição cambial não protegida durante o ano .
As perdas não foram meros erros de arredondamento. A pesquisa descobriu que:
Esses números representaram um divisor de águas. Após uma breve redução na atividade de proteção no 3º trimestre de 2025, quando os índices haviam caído para 46%, a escala das perdas com a exposição não protegida impulsionou um retorno determinado à segurança . No início de 2026, quase dois terços das empresas (64%) planejavam aumentar ainda mais seus índices de hedge, com 59% pretendendo estender a duração da proteção para garantir as taxas de câmbio
.
A escalada do conflito em 28 de fevereiro criou um ambiente singularmente complexo para os mercados de câmbio, caracterizado por inflação impulsionada pelo petróleo, um dólar volátil como ativo de refúgio e forte pressão sobre as nações importadoras de energia .
A Crise de Abastecimento de Energia
A arma econômica mais imediata do conflito foi o fechamento efetivo do Estreito de Ormuz, por onde passa grande parte do petróleo mundial. A Agência Internacional de Energia classificou a interrupção como a "maior perturbação na oferta da história do mercado global de petróleo", comparando seu impacto à crise energética dos anos 1970 . Os preços do petróleo bruto dispararam de cerca de US$ 73 por barril antes da guerra para acima de US$ 120 por barril no final de abril de 2026
.
Uma Montanha-Russa para o Dólar
O dólar americano inicialmente disparou como um porto-seguro. O Índice Dólar (DXY) subiu mais de 3%, para uma máxima de 10 meses de 100,64, enquanto investidores buscavam proteção . No entanto, esse prêmio de guerra se mostrou frágil. Em meados de abril, depois que um cessar-fogo provisório reavivou o apetite por risco, o dólar já havia devolvido a maior parte desses ganhos, sendo negociado próximo a 98,07 — quase exatamente onde estava antes do conflito começar
.
Estresse nos Mercados Emergentes
Um dólar mais forte, combinado com contas de importação de petróleo em disparada, atingiu com mais força as moedas de países emergentes importadores de energia. A libra egípcia, o peso filipino, o won sul-coreano e o baht tailandês estiveram entre os de pior desempenho. Em contraste, moedas de grandes exportadores de petróleo, como Brasil e Nigéria, se fortaleceram . Mesmo entre as principais economias, o iene japonês flertou brevemente com o nível psicologicamente importante de 160 por dólar, enquanto o diferencial de juros com os EUA persistia
.
O clima geral nos mercados de câmbio tornou-se de paralisia. Os volumes de negociação e a volatilidade faziam uma pausa durante as conversas de cessar-fogo e disparavam novamente quando as negociações fracassavam, deixando os mercados de moedas em um persistente modo de "esperar para ver" .
Em nenhum outro lugar a guinada na política foi mais dramática do que no Banco Central Europeu (BCE). Antes da guerra, os mercados precificavam uma probabilidade de um terço de um corte nos juros até o final de 2026 . O choque energético fez essa perspectiva evaporar.
O BCE manteve sua taxa de depósito de referência inalterada em 2% durante suas reuniões de março e abril, mas o tom mudou decisivamente . Com a inflação na zona do euro atingindo 3% — bem acima da meta de 2% do banco —, o debate dentro do Conselho do BCE passou de cortar juros para a rapidez com que aumentá-los
.
Os principais sinais de uma postura mais dura (hawkish) incluíram:
Essa guinada hawkish criou um profundo cabo de guerra para o euro. A moeda foi negociada em uma faixa instável, com um piso próximo a US$ 1,16 e resistência em torno de US$ 1,17 . No final de março, era cotada a US$ 1,1599
. No início de maio, já havia superado US$ 1,17, impulsionada por apostas em alta de juros e um otimismo passageiro com o cessar-fogo
. O patamar de 1,1636 citado em conversas de mercado reflete esse equilíbrio de meio de faixa, mas a realidade abrangente, como destacado por Francesco Pesole, do ING, é que o EUR/USD agora é "movido principalmente pelo petróleo"
. Qualquer indício de cessar-fogo derruba os preços do petróleo e eleva o euro; qualquer escalada faz o inverso.
A trajetória futura do hedge corporativo e das principais moedas depende quase inteiramente do caminho que o conflito no Irã tomar.