A ameaça não se limita ao Reino Unido. A Revisão de Estabilidade Financeira de novembro de 2025 do Banco Central Europeu (BCE) identificou “bolsões de alta alavancagem entre hedge funds” nos mercados de títulos soberanos da área do euro como uma vulnerabilidade-chave que poderia amplificar significativamente o estresse do mercado . Contatos de mercado do BCE foram ainda mais longe, com alguns participantes alertando que uma retirada abrupta dos hedge funds poderia fazer com que “mais da metade da atividade do mercado à vista e de repo” evaporasse dos mercados europeus de títulos públicos
. Embora as opiniões divirjam sobre se isso derrubaria os rendimentos ou simplesmente aumentaria os spreads, o consenso é claro quanto à opacidade do risco: há uma falta geral de transparência sobre as exposições desses fundos
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O mecanismo de transmissão para esse choque tem um nome: finanças baseadas no mercado (MBF, na sigla em inglês). A mesma teia interconectada de financiamento via repo, corretagem de primeira linha e derivativos que permite que os hedge funds construam posições massivas também serve como o canal para o contágio sistêmico. Se os bancos intermediários (dealers) atingirem os limites de seus balanços durante um evento de estresse, sua capacidade de intermediar negociações pode desaparecer repentinamente, sufocando os mercados de financiamento exatamente quando eles são mais necessários . O BCE alertou explicitamente que a crescente demanda por intermediação bancária por parte dos hedge funds está criando potenciais pontos de estrangulamento, caso os bancos atinjam seus limites internos
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A dimensão global desse risco foi cristalizada pelo Conselho de Estabilidade Financeira (FSB, na sigla em inglês), presidido por Andrew Bailey, que alertou em fevereiro de 2026 que a alavancagem dos hedge funds nos mercados de títulos públicos globais havia atingido um valor sem precedentes de £2,2 trilhões, representando uma “ameaça crescente de um colapso mundial” . A análise do FSB mostra que a desalavancagem por parte dos tomadores de recursos nos mercados de repo pode transmitir choques diretamente aos preços da dívida soberana, forçando os gestores de ativos a liquidar rapidamente suas posições e criando a dinâmica de uma venda forçada generalizada
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Um fator agravante crítico apontado pelo Banco da Inglaterra é a dominância estrangeira dessas posições alavancadas. Hedge funds internacionais, muitas vezes geridos a partir dos EUA, são grandes detentores da dívida do Reino Unido, dependendo de financiamento de curto prazo (repo) que é constantemente renovado . Isso cria uma dupla vulnerabilidade: não apenas uma liquidação no mercado de títulos, mas um potencial evento de fuga de capitais que poderia atingir a libra esterlina, evocando memórias de crises passadas típicas de mercados emergentes, mas agora aplicadas a uma economia do G7.
Apesar de todo o alarme, o cenário é cheio de nuances. Os hedge funds desempenham uma função vital, fornecendo liquidez e garantindo a absorção suave de novas emissões de dívida pública. O BCE reconhece que sua atividade ajuda os leilões de títulos públicos a serem bem-sucedidos . O problema não é a alavancagem em si, mas a combinação de concentração extrema, opacidade, forte dependência de financiamento de atacado de curto prazo e a evidente falta de preparo para um choque de liquidez por parte de algumas instituições financeiras não bancárias
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O Banco da Inglaterra e o BCE não estão prevendo uma quebra; eles estão mapeando uma vulnerabilidade. Sua mensagem é que o encanamento do mercado de títulos soberanos mudou, e os novos canos vêm com um risco de ruptura de alta pressão que pode se espalhar por todo o sistema financeiro. O próximo teste de estresse será real, e os bancos centrais estão deixando claro que não sabem exatamente onde estão os limites.