Os formuladores de política destacaram que a guerra está elevando tanto os preços do petróleo quanto a taxa de câmbio do won (a moeda sul-coreana), criando uma pressão inflacionária ascendente e um risco de queda no crescimento simultaneamente. A inflação anual da Coreia do Sul acelerou para 2,2% em março de 2026, acima da meta de 2,0% do banco central, alimentada pelo aumento dos preços dos derivados de petróleo . O presidente do BoK alertou que agora se espera que a inflação geral "exceda consideravelmente" a previsão de fevereiro e que o risco de estagflação — crescimento mais lento combinado com preços mais altos — "não pode ser completamente descartado"
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A especulação sobre um aumento de juros renasceu na Coreia do Sul. Em março, a disparada do petróleo fez os rendimentos dos títulos pularem e levou economistas a alertar que o BoK pode precisar revisar sua previsão de inflação para cima e potencialmente apertar a política monetária, em vez de cortar ainda mais .
O Federal Reserve, o banco central americano, realizou a mais dramática guinada hawkish. Em sua reunião de março de 2026, o Fed manteve a taxa dos Fed Funds no intervalo de 3,50%–3,75%, mas o tom foi muito mais cauteloso do que os mercados esperavam . Em abril, a mudança já havia endurecido para uma discussão aberta sobre o aumento das taxas.
A ata da reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) de 28 a 29 de abril revelou que uma maioria dos formuladores de política acreditava que "algum aperto monetário provavelmente se tornaria apropriado" se a inflação permanecer persistentemente acima da meta de 2% . Os presidentes do Fed, Austan Goolsbee e Beth Hammack, enfatizaram no início de abril que combater a inflação voltou a ser a principal prioridade, à frente das preocupações com o mercado de trabalho
. O futuro presidente, Kevin Warsh, que assumirá após a última reunião de Jerome Powell, herdará um comitê que não está apenas em espera, mas ativamente inclinado a apertar a política.
A matemática do petróleo está impulsionando a retórica. O Fed de Dallas estimou que a guerra no Irã adiciona 0,6 ponto percentual à inflação geral medida pelo índice PCE (gastos com consumo pessoal) para 2026 . A Oxford Economics modelou um cenário de pior caso — petróleo a US$ 140 o barril — que elevaria a inflação americana para 5%, o nível mais alto desde março de 2023, provavelmente forçando o Fed a subir os juros
. Os mercados já precificaram zero cortes de juros para 2026
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O Banco do Canadá juntou-se ao Fed ao adotar uma postura dura em março, com seu Conselho alertando que, se os preços da energia permanecerem altos, "não permitiremos que seus efeitos se ampliem e se tornem uma inflação persistente" .
O BCE deixou suas taxas de juros inalteradas pela sexta reunião consecutiva em março de 2026, mas elevou drasticamente suas projeções de inflação. O novo cenário base vê a inflação geral de 2026 com média de 2,6%, acima da previsão pré-guerra de apenas 1,9% em dezembro de 2025 . O núcleo da inflação, que exclui energia e alimentos, está projetado em 2,3% para 2026
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Essas previsões já parecem otimistas. A inflação geral real na zona do euro atingiu 3,0% em abril de 2026, impulsionada por um aumento anual de 10,9% nos preços de energia . O núcleo da inflação (excluindo energia) ficou em 2,2%
. O principal motor é inequívoco: após uma contração de 3,1% em fevereiro, a inflação de energia explodiu para 4,9% apenas em março, à medida que a guerra e o fechamento quase total do Estreito de Ormuz — por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial — fizeram os preços do petróleo e gás dispararem
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As projeções do cenário base do BCE assumem que os preços do petróleo e do gás atingirão o pico em torno de US$ 90 por barril no segundo trimestre de 2026 e depois cairão . Mas, quando as previsões foram divulgadas, o Brent já estava sendo negociado a US$ 112–US$ 115 por barril
. O próprio BCE reconhece que, em um cenário severo — onde os preços da energia permanecem elevados por um período prolongado — a inflação geral da zona do euro poderá atingir 4,4% em 2026
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A presidente do BCE, Christine Lagarde, alertou que a guerra tem um "impacto material na inflação de curto prazo" . Como a zona do euro é uma grande importadora líquida de energia, um conflito prolongado no Oriente Médio é um fardo especialmente potente, elevando os preços enquanto deprime o consumo e o investimento
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A resposta sincronizada dos bancos centrais revela uma realidade singular e desconfortável: a economia global reentrou em um ambiente de choque de oferta que os bancos centrais não conseguem administrar facilmente. Aumentar as taxas para combater a inflação impulsionada pela energia corre o risco de esmagar o crescimento em um momento em que a demanda já está frágil. Manter as taxas estáveis e torcer pelo melhor — a estratégia atual — deixa os formuladores de política expostos se os preços do petróleo permanecerem elevados e as expectativas de inflação se desancorarem da meta.
O presidente do Fed de Nova York, John Williams, resumiu o risco sem rodeios em meados de abril, alertando que o conflito no Oriente Médio representa o risco de um "grande choque de oferta" que poderia simultaneamente aumentar a inflação e reduzir a atividade econômica — a definição clássica de estagflação .
Em meados de 2026, todos os principais bancos centrais pausaram seu ciclo de flexibilização. Se a inflação impulsionada pela energia persistir no verão do hemisfério norte, a pergunta mudará rapidamente de "Eles vão cortar?" para "Quem aumentará primeiro?"