Enquanto as capacidades ofensivas se multiplicam, a diplomacia para evitar uma catástrofe não acompanhou o ritmo. A situação é comparada por especialistas a uma reedição da Guerra Fria, mas sem as salvaguardas que evitaram um holocausto nuclear.
Vácuo de comunicação em crises: Kari Bingen, diretora do Projeto de Segurança Aeroespacial do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), foi categórica ao afirmar que EUA e China "não possuem canais confiáveis para gerenciar riscos em uma órbita cada vez maislotada" . Diferentemente da era da Guerra Fria, não existe uma linha direta ("hotline") bilateral dedicada ao espaço para desescalar tensões ou coordenar ações.
Perigo de colisão e erro de cálculo: Um relatório da Força-Tarefa do Conselho de Relações Exteriores (CFR), publicado em março de 2025, alertou que o número de satélites na órbita baixa da Terra (LEO) dobrou desde 2018, com mais de 40.000 objetos rastreados. Sem diálogo, o risco de uma colisão acidental entre um ativo americano e um chinês — que poderia ser mal interpretada como um ataque deliberado — aumenta vertiginosamente .
A ambiguidade como gatilho para uma escalada: As operações de proximidade (RPOs) conduzidas por ambos os lados criam uma ambiguidade perigosa. A China realizou pelo menos cinco dessas manobras de aproximação e encontro apenas em 2024, segundo a Secure World Foundation . Sem canais de comunicação, uma simples inspeção de rotina pode ser identificada erroneamente como a preparação para um ataque, desencadeando uma resposta imediata e uma espiral de conflito
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Alternativas diplomáticas fragmentadas e lentas: Em fevereiro de 2026, um novo fórum da ONU sobre coordenação de tráfego espacial se reuniu em Viena para tentar construir normas de compartilhamento de informações. O progresso, no entanto, é lento, e a dimensão bilateral crítica entre EUA e China permanece praticamente intocada . O relatório do CFR explicitamente pediu o estabelecimento de canais diplomáticos diretos sobre segurança espacial, mas essa recomendação ainda não saiu do papel
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Os próprios alertas da China: Pequim já levantou preocupações na ONU sobre a expansão rápida e desregulamentada de grandes constelações comerciais (notadamente a Starlink), alertando que elas representam riscos "pronunciados de segurança e proteção" — um sinal de que ambos os lados reconhecem o perigo da órbita lotada, mas carecem de uma estrutura conjunta para gerenciá-lo .