O conflito entre EUA e Irã, iniciado em 28 de fevereiro de 2026, provocou o fechamento efetivo do Estreito de Ormuz, o estreito ponto de passagem por onde transita cerca de 20% do petróleo e gás natural liquefeito (GNL) globais . O Irã alertou que abriria fogo contra qualquer embarcação que tentasse a passagem, e um subsequente bloqueio naval dos EUA transformou um fechamento de fato em um impasse prolongado, encalhando aproximadamente 20 milhões de barris por dia de petróleo bruto e derivados
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A Ásia absorveu o maior impacto do choque. No primeiro trimestre de 2025, cerca de 89% do petróleo bruto e condensado que transitava pelo Estreito tinha como destino os mercados asiáticos, liderados por China (37,7%), Índia (14,7%), Coreia do Sul (12,0%) e Japão (10,9%) . O fechamento cortou o que a revista Fortune descreveu como "a artéria marítima pela qual flui quase todo o petróleo e gás natural do Golfo Pérsico"
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As Filipinas estão entre as economias mais expostas do mundo. O país importa 98% de seu petróleo do Oriente Médio, o que o deixa agudamente dependente do trânsito por Ormuz . Quando o estreito fechou, a única refinaria do país — a Petron Corp. — foi forçada a uma extraordinária campanha de diversificação.
A Petron garantiu 2,48 milhões de barris de petróleo bruto russo, o que exigiu uma isenção de sanções dos EUA, e o primeiro carregamento — aproximadamente 700 mil barris de petróleo da mistura do oleoduto Sibéria Oriental-Oceano Pacífico a bordo do navio-tanque Sara Sky, de bandeira de Serra Leoa — chegou ao Porto de Limay, em Bataan, no final de março de 2026 . A compra marcou o primeiro embarque de petróleo bruto russo para as Filipinas em cinco anos
. A Secretária de Energia, Sharon Garin, buscou simultaneamente suprimentos da Indonésia, Malásia, Singapura, Índia e Omã, enquanto o governo declarava estado de emergência energética nacional
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O Presidente Ferdinand Marcos Jr. assegurou ao público que os estoques de petróleo bruto eram suficientes até 30 de junho de 2026, mas reconheceu que o governo continuava a buscar fornecedores alternativos . Manila também explorou acordos diretos de governo para governo para compra de petróleo com China, Índia e Rússia, e sinalizou interesse em expandir as fontes para as Américas — incluindo Colômbia, Argentina, Canadá e os próprios EUA
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A carga da SPR para as Filipinas opera dentro de uma intervenção coordenada muito maior. Em 11 de março de 2026, todos os 32 países-membros da Agência Internacional de Energia (AIE) concordaram unanimemente em liberar 400 milhões de barris de petróleo de suas reservas de emergência — a maior liberação coordenada da história da agência e apenas a sexta intervenção desse tipo desde a fundação da AIE na década de 1970 . O Diretor Executivo da AIE, Fatih Birol, classificou os desafios do mercado como "sem precedentes em escala"
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Os estoques dos membros asiáticos foram disponibilizados imediatamente; as reservas europeias e norte-americanas começaram a fluir no final de março . A contribuição dos EUA de 172 milhões de barris foi a maior cota nacional individual
. A intervenção ajudou a estabilizar os mercados depois que o petróleo Brent ameaçou romper o teto de US$ 150 por barril
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A crise está acelerando uma mudança estrutural nas compras asiáticas. A infraestrutura de exportação de petróleo bruto dos EUA está se aproximando do limite de sua capacidade física, à medida que um desconto americano cada vez maior em relação aos benchmarks internacionais atrai volumes crescentes para a Ásia . Somente em março de 2026, 38 fretamentos de petróleo foram reservados entre a Costa do Golfo dos EUA e destinos no Sudeste Asiático, em comparação com apenas 13 em fevereiro
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O que começou como uma disrupção geopolítica no Golfo Pérsico está agora redesenhando o mapa dos fluxos globais de petróleo bruto. A carga de 616 mil barris do Arosa é um marcador pequeno, mas inconfundível, dessa transformação — a prova de que a segurança energética da Ásia não pode mais depender de um único ponto de estrangulamento.