A própria NVIDIA também divulgou números do seu "Agentic Sandbox", um ambiente de testes para IA agêntica, onde o Vera se mostrou até 1,5x mais rápido que concorrentes x86 não nomeados.
Mas aqui vai o asterisco: tanto a Phoronix quanto a Redpanda executaram os testes de forma independente, porém a NVIDIA definiu e limitou os tipos de cargas de trabalho que podiam ser analisadas. Isso significa que ainda não temos resultados de benchmarks padronizados e universais, como o SPEC CPU, que permitem uma comparação "maçãs com maçãs" para todo tipo de uso. Além disso, informações essenciais como frequência de clock, consumo de energia (TDP) e preço oficial ainda não foram divulgadas pela empresa.
Como o Vera conseguiu dar esse salto? A arquitetura é completamente diferente do que AMD e Intel estão fazendo. A NVIDIA não está apenas competindo; ela está mudando as regras do jogo para o seu terreno: o da inteligência artificial.
As principais inovações são:
Em resumo, a NVIDIA construiu o Vera não como um processador genérico, mas como um orquestrador de IA agêntica. Ele foi feito para gerenciar milhares de agentes de IA operando ao mesmo tempo, lidando com aprendizado por reforço e coordenando inferências em tempo real — um tipo de carga de trabalho que está moldando o futuro da computação.
A chegada do Vera ao mercado foi simbólica e estratégica. Em maio de 2026, Ian Buck, vice-presidente da NVIDIA, pessoalmente fez a entrega dos primeiros sistemas para quatro clientes âncora na Califórnia: Anthropic, OpenAI, SpaceXAI e Oracle Cloud Infrastructure (OCI).
A Oracle, inclusive, parece ser a maior parceira nesse primeiro momento. A empresa já sinalizou planos de implantar centenas de milhares de CPUs Vera a partir de 2026, tornando seu serviço de nuvem a primeira plataforma de hiperescala a apostar forte no chip.
E a aposta financeira é gigantesca. Durante a teleconferência de resultados, a CFO Colette Kress declarou que a empresa tem uma "visibilidade" de US$ 20 bilhões em vendas do CPU Vera para 2026. Para Jensen Huang, CEO da NVIDIA, o chip abre um “mercado endereçável totalmente novo de US$ 200 bilhões” .
Isso tudo acontece em um contexto de números superlativos para a NVIDIA. A empresa reportou uma receita trimestral de US$ 81,6 bilhões e já guiou o próximo trimestre para impressionantes US$ 91 bilhões, acima das expectativas dos analistas. O Vera se posiciona para ser o segundo maior contribuinte de receita da companhia, atrás apenas dos chips de IA Blackwell e Rubin, que juntos já miram US$ 1 trilhão até 2027.
A chegada do Vera embaralha um tabuleiro que estava quieto há décadas. AMD e Intel ainda dominam o mercado de CPUs para servidores com sua arquitetura x86, mas a NVIDIA está entrando pela porta da frente — a da IA — com uma solução que não é só mais rápida, mas é diferente na essência.
Ainda é cedo para declarar um vencedor. A falta de benchmarks padronizados, o controle da NVIDIA sobre os testes iniciais e a incerteza sobre preço e consumo de energia são nuvens no horizonte. No entanto, uma coisa é certa: com contratos bilionários já engatilhados e o peso dos primeiros clientes, o Vera não é mais uma promessa. É uma realidade que promete redefinir as regras do jogo para a infraestrutura de IA.
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