Um detalhe que costuma ser ruidoso em análises de insider trading é a venda de ações. No caso da Nokia, a única venda relevante foi a de David Heard, que se desfez de 275.000 ações em fevereiro de 2026 a € 5,95. Mas há ressalvas: foi uma transação pré-planejada, e Heard continuou comprando ações no mercado aberto depois disso, o que reduz a leitura de um sinal de alerta .
No conjunto, a dança das cadeiras é de compra, e a música é de convicção.
A pergunta que fica é: o que os executivos estão vendo que justifica colocar o próprio dinheiro na mesa? A resposta está na maior transformação da Nokia em anos. Em novembro de 2025, a companhia anunciou uma nova estratégia de negócios, dividindo sua operação em dois segmentos: Infraestrutura de Rede (Network Infrastructure) e Infraestrutura Móvel (Mobile Infrastructure) . A primeira prioridade listada foi clara: “Acelerar o crescimento em IA e Nuvem”
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Na prática, a missão declarada é fornecer a conectividade óptica e de IP de alto desempenho que os gigantescos centros de dados de IA exigem para funcionar entre continentes .
O mercado está comprando a tese. A Nokia atualizou seu portfólio de data center e espera um crescimento de dois dígitos na área de Infraestrutura de Rede em 2026, embalada pela explosão de demanda por IA . Entre as novidades técnicas, está a família de switches 7220 IXR-H6, com capacidade de até 102,4 Tb/s e interfaces Ethernet de 1,6 Terabit, voltada justamente para cargas de trabalho de IA em larga escala
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Talvez a validação externa mais poderosa venha da rápida e quase unânime reavaliação da Nokia pelos maiores bancos de investimento. O céticos viraram crentes, e os que já acreditavam se tornaram ainda mais otimistas.
A revisão do Goldman Sachs é emblemática: saiu de “Venda” com alvo de € 3,50 para “Neutro” com € 8, um giro de 180 graus. O CFRA mais que dobrou o preço-alvo. E a nova métrica comum entre os analistas é valorizar a Nokia em comparação com pares do setor de conectividade óptica e infraestrutura de data centers — uma classe de ativos mais valorizada e com múltiplos mais altos do que o setor tradicional de equipamentos de telecomunicações .
Para tocar esse novo momento, a Nokia projeta um lucro operacional comparável para 2026 na faixa de € 2,0 a € 2,5 bilhões, com investimentos mais altos (entre € 900 milhões e € 1 bilhão) para expandir a capacidade de redes ópticas .
O reflexo no papel já foi intenso. As ações avançaram aproximadamente 178% no acumulado de 2026 até o fechamento de 22 de maio, quando a ADR negociada em Nova York alcançou US$ 15,47 . O movimento foi acompanhado por uma explosão na compra de opções de compra — cerca de 431 mil contratos, muito acima da média —, sinalizando que o mercado de curto prazo também aposta em novas altas
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A compra de US$ 500 mil de Owczarek é mais do que uma nota de rodapé: é o selo mais recente de uma história em que a alta cúpula da Nokia está colocando dinheiro próprio em uma empresa que promete surfar o maior ciclo de investimentos em data centers de IA da história. A estratégia de negócios mudou, os números ganharam corpo e Wall Street comprou o roteiro. A tese de que a Nokia é uma emergente peça de infraestrutura de IA tem fundamento — com a ressalva de que o mercado já embutiu boa parte desse otimismo no preço das ações.