O balanço total da guerra, que começou em outubro de 2023, já ultrapassa 75 mil pessoas. No início de maio de 2026, o monitoramento de fontes oficiais pela Wikipedia apontava 75.811 mortos, incluindo mais de 73.770 palestinos e mais de 2.000 israelenses . Entre os mortos estão pelo menos 270 jornalistas, 120 acadêmicos e mais de 560 trabalhadores humanitários .
Os bombardeios aéreos e disparos de artilharia continuaram durante todo o período do cessar-fogo, frequentemente atingindo áreas residenciais. Incidentes recentes incluem:
O Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) observou que muitos desses incidentes ocorrem em áreas residenciais, colocando civis em perigo direto . A Organização Mundial da Saúde estima que mais de 43.000 pessoas em Gaza sofreram ferimentos que mudaram suas vidas .
A segunda fase do cessar-fogo depende de o Hamas concordar com um desarmamento verificável e com a renúncia ao controle de Gaza. Isso não aconteceu. Em seu primeiro relatório ao Conselho de Segurança da ONU, em 20 de maio de 2026, o Conselho de Paz (Board of Peace, ou BoP), liderado pelos EUA, classificou o Hamas como "o principal obstáculo" ao progresso, citando sua recusa em aceitar a desativação verificada de seu arsenal .
Nickolay Mladenov, o Alto Representante do Conselho, afirmou que o desarmamento "não é negociável" . Contudo, as conversas se transformaram em disputas técnicas sobre recompra de armas e uso de armamento leve por forças de segurança . O Hamas insiste que só discutirá o desarmamento depois que Israel implementar totalmente a primeira fase — o que significa uma retirada militar completa de Gaza — e classificou a exigência como um pretexto para a continuação da guerra .
O impasse tem consequências que vão além da mesa de negociação. Um documento obtido pelo The Times of Israel revelou que o BoP não pretende cobrar de Israel os termos do cessar-fogo se o Hamas não aceitar a estrutura de desarmamento, dando na prática um sinal verde para que Israel continue suas operações militares . A mídia israelense informa que o gabinete de segurança já discutiu planos de contingência para uma nova guerra em larga escala, caso as negociações fracassem por completo .
Enquanto as conversas diplomáticas patinam, a situação humanitária no terreno se deteriora. A ONU relata que quase 1 milhão de pessoas em toda Gaza ainda precisam de assistência urgente para abrigo, e a maior parte da população segue deslocada .
O esforço de ajuda enfrenta obstáculos implacáveis:
O fechamento das passagens fez os preços dispararem e aprofundou a dependência da população à assistência humanitária . Na Cisjordânia, uma crise paralela está em curso: quase 1.700 palestinos foram deslocados por ataques de colonos e restrições de acesso apenas nos primeiros três meses de 2026 — um número que já supera o total de todo o ano de 2025 .
A ONU alerta que, sem um avanço no plano de transição, Gaza corre o risco de entrar em um estado "permanente" de limbo . Como resumiu Mladenov: "Sete meses após o cessar-fogo, a porta para o futuro de Gaza continua fechada" .