Dados de agências da ONU indicam um volume elevado de retornos forçados ou pressionados ao longo de 2026:
Outros retornos também ocorreram a partir de países como Turquia e Tajiquistão, embora em números menores.
Além dos números de 2026, a pressão migratória é parte de um fenômeno maior: cerca de 5,4 milhões de afegãos retornaram do Irã e do Paquistão desde outubro de 2023, muitos deles sob pressão ou em condições consideradas adversas.
Relatórios da ONU e de organizações internacionais apontam que pessoas que retornam ao país podem enfrentar uma série de ameaças sob o governo do Talibã, que retomou o poder em 2021.
Entre os riscos citados estão:
Alguns grupos são considerados especialmente vulneráveis, incluindo:
Essas pessoas podem ser vistas como opositoras do Talibã e, por isso, enfrentam maior probabilidade de abusos ou represálias.
No centro do debate está o princípio de non‑refoulement, um dos pilares do direito internacional dos refugiados.
Esse princípio determina que nenhum país pode expulsar ou devolver uma pessoa para um território onde existam motivos substanciais para acreditar que ela enfrentará perseguição, tortura ou outras violações graves de direitos humanos.
A regra se aplica a todos os migrantes, independentemente do status migratório, e está consagrada em tratados internacionais como a Convenção de 1951 sobre o Estatuto dos Refugiados e outras normas de direitos humanos.
Para autoridades da ONU, deportar afegãos para um país onde essas ameaças persistem pode representar uma violação direta desse princípio fundamental do direito internacional.
As críticas da ONU e de organizações de direitos humanos têm se concentrado especialmente em Irã e Paquistão, que realizaram deportações em grande escala, e também em discussões dentro da Europa sobre possíveis retornos de afegãos sem direito de permanência.
Para especialistas, a questão coloca governos diante de um dilema entre políticas migratórias internas e obrigações legais internacionais — especialmente quando o país de destino é considerado inseguro para parte significativa da população retornada.