Em apenas algumas semanas no início do ano, dados on‑chain mostraram bilhões de dólares em BTC e ETH circulando entre carteiras associadas à BlackRock e a Coinbase Prime.
Esse padrão recorrente sugere que os movimentos fazem parte do funcionamento normal da estrutura institucional de negociação e custódia.
A ligação entre BlackRock e Coinbase é estrutural.
Documentos regulatórios do iShares Bitcoin Trust (IBIT) mostram que a Coinbase Custody Trust Company é a custodiante principal dos bitcoins do fundo, enquanto entidades afiliadas da Coinbase atuam como agentes de execução para operações de trading.
Na prática, a infraestrutura da Coinbase é usada para várias funções importantes, como:
Por causa dessa estrutura, grandes transferências entre carteiras da BlackRock e serviços da Coinbase podem ocorrer sem que haja uma venda imediata no mercado.
ETFs de criptomoedas à vista, como o IBIT, usam um mecanismo chamado criação e resgate de cotas.
Grandes instituições financeiras — conhecidas como participantes autorizados (authorized participants) — criam ou resgatam cotas do fundo em blocos chamados “baskets”.
Quando a demanda dos investidores muda, esses participantes podem:
Essas operações frequentemente exigem movimentar Bitcoin entre contas de custódia e plataformas de execução, o que aparece no blockchain como grandes depósitos em serviços como a Coinbase Prime.
Ou seja: o blockchain mostra o movimento dos ativos — mas não revela automaticamente qual operação financeira está por trás dele.
Transferências para exchanges às vezes são interpretadas como sinal de venda. No caso de ETFs institucionais, essa conclusão pode ser precipitada.
Movimentos desse tipo também podem indicar:
Outro detalhe importante: a transferência de fevereiro incluiu Ethereum, enquanto o ETF IBIT é focado em Bitcoin. Isso sugere que o movimento pode envolver outras operações de ativos digitais da BlackRock ou múltiplos produtos, não apenas um único ETF.
A transferência de cerca de US$ 160 milhões em Bitcoin e Ethereum para a Coinbase Prime parece fazer parte de um padrão operacional maior.
Como os ETFs de criptomoedas da BlackRock dependem da infraestrutura da Coinbase para custódia, execução e liquidação, grandes movimentações on‑chain frequentemente refletem a mecânica interna do funcionamento desses fundos — como criações, resgates e gestão de custódia — e não necessariamente uma decisão de vender grandes volumes de cripto no mercado.
Além disso, dados de blockchain mostram apenas que os ativos se moveram. O objetivo exato de cada transação raramente é confirmado publicamente em tempo real. No contexto mais amplo de 2026, porém, o movimento de fevereiro se encaixa claramente no padrão operacional desses ETFs institucionais.