Até agora, porém, não foram divulgadas publicamente evidências detalhadas sobre possíveis alvos, cronograma ou planos operacionais. A maior parte das informações conhecidas vem de relatos da imprensa citando autoridades não identificadas.
Segundo relatos da mídia, autoridades de segurança de Israel avaliam que Teerã poderia lançar um ataque coordenado com mísseis e veículos aéreos não tripulados (drones) contra Israel e também contra países do Golfo que mantêm relações estratégicas com os Estados Unidos.
A lógica estratégica por trás dessa avaliação é clara: se o governo iraniano acreditar que uma ação militar dos EUA ou de Israel é inevitável, poderia tentar agir primeiro para ganhar vantagem ou dissuadir um ataque maior.
Ainda assim, os detalhes permanecem incertos, e não há confirmação pública independente de que um ataque esteja realmente em preparação imediata.
O alerta ocorre no contexto de um conflito mais amplo iniciado em 28 de fevereiro de 2026, quando Estados Unidos e Israel realizaram ataques coordenados contra alvos iranianos. Em resposta, o Irã lançou mísseis e drones contra Israel, bases militares americanas e países aliados dos EUA na região.
Esse confronto ampliou rapidamente as tensões regionais e passou a envolver também ataques indiretos, pressões econômicas e operações de guerra eletrônica.
Relatórios recentes indicam que incidentes com drones já ocorreram em países do Golfo que hospedam bases militares americanas, como Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita, o que mostra que qualquer nova escalada pode atingir múltiplos países da região.
Um dos sinais mais claros de preocupação internacional tem vindo das autoridades de aviação civil.
A Agência Europeia para a Segurança da Aviação (EASA) prorrogou um alerta de risco que cobre grande parte do espaço aéreo do Oriente Médio e do Golfo Pérsico — incluindo Irã, Israel, Iraque, Bahrein, Kuwait, Catar, Omã, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Jordânia e Líbano — até o fim de maio de 2026. O comunicado recomenda cautela às companhias aéreas devido à atividade militar contínua e possíveis ameaças à aviação civil.
Além disso, a Autoridade de Aviação Civil de Singapura alertou operadores aéreos sobre o aumento do risco de interferência em GNSS, sistemas de navegação por satélite usados por aeronaves comerciais. Esse tipo de interferência pode degradar sistemas de navegação e vigilância.
Alertas desse tipo geralmente são emitidos apenas quando reguladores consideram que há riscos reais para operações aéreas civis.
Outro indicador observado por analistas é a redução incomum no tráfego aéreo comercial sobre o território iraniano.
Dados de rastreamento de voos mostraram uma queda significativa nas aeronaves que sobrevoam o país — um padrão que, segundo observadores, já apareceu antes de episódios anteriores de escalada militar na região.
Companhias aéreas costumam evitar áreas de risco mesmo antes de governos fecharem oficialmente o espaço aéreo, o que faz com que mudanças bruscas nas rotas funcionem como um possível sinal antecipado de tensões crescentes.
Outro fenômeno que vem aumentando na região é a interferência em sinais de GPS, conhecida como jamming ou spoofing.
Essas técnicas podem bloquear ou falsificar sinais de navegação por satélite e já foram relatadas em áreas próximas ao Estreito de Ormuz e ao Golfo Pérsico. Em alguns períodos de interferência intensa, sistemas de navegação de centenas ou até milhares de navios e aeronaves foram afetados.
Do ponto de vista militar, essa tática pode servir para confundir sistemas de navegação, dificultar coleta de inteligência e aumentar a incerteza para tráfego civil em rotas estratégicas.
O alerta israelense também coincide com negociações delicadas entre Irã e Estados Unidos, relacionadas tanto ao conflito regional quanto a questões nucleares. Relatos indicam divergências políticas e incerteza sobre a possibilidade de um acordo duradouro.
Quando negociações se aproximam do colapso em um ambiente de conflito ativo, forças militares costumam aumentar o estado de prontidão, pois cresce a possibilidade de uma nova rodada de confrontos.
Nenhum desses elementos isoladamente — seja um alerta de inteligência, avisos à aviação, interferência em GPS ou mudanças nas rotas de voo — prova que um ataque seja iminente.
Mas, analisados em conjunto, eles mostram uma região operando em nível elevado de alerta, onde o risco de erro de cálculo ou escalada militar aumenta rapidamente.
Até o momento, as evidências mais concretas disponíveis publicamente dizem respeito aos alertas de segurança aérea e às interferências em sistemas de navegação. Já a avaliação de que o Irã poderia preparar um ataque surpresa permanece plausível, mas não confirmada por informações de inteligência divulgadas publicamente.