A IEA também alerta que os estoques comerciais estão diminuindo rapidamente e, em alguns casos, representam apenas algumas semanas de abastecimento, mostrando como a margem de segurança do mercado está se reduzindo.
Para evitar uma escassez imediata de petróleo, vários governos decidiram usar suas reservas estratégicas — estoques emergenciais mantidos justamente para crises de oferta.
Países membros da IEA estão liberando cerca de 2,5 a 3 milhões de barris por dia dessas reservas para compensar a perda de exportações do Oriente Médio.
Embora essas liberações tenham ajudado a estabilizar o mercado temporariamente, a agência alerta que essas reservas não são ilimitadas. Ao mesmo tempo, empresas e países também estão utilizando estoques comerciais, acelerando a queda nas reservas globais.
As restrições nas exportações do Oriente Médio já retiraram volumes significativos do mercado global.
Alguns indicadores mostram a dimensão do choque:
No conjunto, esses números representam uma das maiores interrupções de oferta de petróleo das últimas décadas.
Com estoques caindo e oferta limitada, analistas têm revisado para cima suas projeções de preços.
Vários bancos e consultorias agora consideram plausível que o Brent — referência global do petróleo — fique próximo ou acima de US$100 por barril se as restrições no Estreito de Ormuz persistirem.
Alguns cenários indicam que o preço pode permanecer nesse patamar por um período prolongado, refletindo o prêmio de risco elevado causado pela incerteza sobre o fluxo de petróleo do Golfo Pérsico.
Mesmo que o tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz seja retomado em breve, especialistas afirmam que o mercado não voltará imediatamente ao normal.
Executivos do setor destacam que a recuperação envolve várias etapas: reiniciar produção que foi interrompida, reposicionar navios petroleiros, liberar gargalos de armazenamento e reconstruir cadeias logísticas afetadas por meses de exportações reduzidas.
O chefe da empresa estatal de petróleo dos Emirados Árabes Unidos, ADNOC, afirmou que o fluxo total de petróleo pelo estreito pode não voltar ao normal antes do primeiro ou segundo trimestre de 2027, mesmo que o conflito terminasse imediatamente.
Executivos da Saudi Aramco também alertam que quanto mais tempo durar a interrupção, mais demorado será o reequilíbrio do mercado global, já que os estoques foram significativamente consumidos durante a crise.
O Estreito de Ormuz é uma das rotas marítimas de energia mais importantes do planeta. Uma grande parcela das exportações de petróleo do Golfo Pérsico normalmente passa por esse estreito, que liga a região ao Oceano Índico.
Por causa dessa concentração de fluxo energético, qualquer interrupção prolongada pode provocar impactos imediatos no mercado global de petróleo — desde volatilidade de preços até risco de escassez em algumas regiões.
Com estoques em queda, reservas estratégicas sendo utilizadas e milhões de barris de oferta afetados, os próximos meses podem se tornar um teste crítico para a estabilidade do mercado mundial de energia.