A cifra chamou atenção porque não foi anunciada diretamente pela SpaceX em um comunicado formal. Ela apareceu em declarações do administrador da Federal Aviation Administration (FAA), Bryan Bedford.
Segundo Bedford, a presidente da SpaceX, Gwynne Shotwell, apresentou a ele a visão da empresa para atingir cerca de 10.000 lançamentos anuais em cinco anos durante conversas relacionadas à conferência aeroespacial ASCEND 2026.
O número chamou atenção porque é muito maior do que qualquer previsão oficial sobre o crescimento do setor espacial.
Nos Estados Unidos, todo lançamento comercial precisa de licença da FAA, a agência que regula a segurança da aviação e das operações espaciais. Isso inclui análise de riscos, impacto ambiental, fechamento de espaço aéreo e confiabilidade do veículo.
Mesmo nos cenários mais otimistas da própria agência, o crescimento previsto é muito menor. A FAA estima que todas as operações espaciais comerciais dos EUA combinadas possam passar de cerca de 174–183 em 2025 para algo entre 259 e 566 em 2034.
Isso mostra o quanto a meta discutida pela SpaceX está além das expectativas regulatórias atuais.
Bedford também indicou que, para algo próximo desse volume ser autorizado, a agência precisaria ver níveis muito maiores de confiabilidade nos lançamentos.
Com milhares de lançamentos por ano, até uma taxa de falha extremamente baixa poderia resultar em diversos incidentes — algo que os reguladores precisam considerar.
Para atingir um ritmo tão alto, a SpaceX provavelmente dependeria do Starship, o foguete gigante totalmente reutilizável que a empresa está desenvolvendo.
O conceito do Starship é permitir reutilização rápida, semelhante à operação de aviões comerciais, o que teoricamente poderia permitir muitos voos em pouco tempo.
Mas as autorizações atuais ainda estão muito longe desse cenário. Por exemplo, documentos regulatórios da FAA analisam operações de até 25 lançamentos orbitais de Starship/Super Heavy por ano a partir da base de Boca Chica, no Texas.
Isso ilustra o tamanho da distância entre os limites atuais e a visão de longo prazo mencionada pela empresa.
Um dos motivos pelos quais a SpaceX pode imaginar uma escala tão grande é que ela própria gera grande parte da demanda de lançamentos.
A maioria das missões atuais da empresa já é dedicada ao Starlink, sua rede global de internet via satélite.
Até o início de 2026, a constelação tinha mais de 10.000 satélites em órbita, tornando-se a maior já construída.
Um ritmo muito maior de lançamentos poderia servir para:
Ainda assim, ter demanda não resolve automaticamente os desafios técnicos e logísticos de lançar foguetes praticamente o tempo todo.
Mesmo para a empresa mais ativa do setor, chegar perto de 10.000 lançamentos por ano exigiria avanços enormes em várias frentes:
Por enquanto, especialistas tendem a ver esse número mais como uma visão estratégica de longo prazo do que um plano operacional detalhado.
Ainda assim, ele indica claramente a direção que a SpaceX pretende seguir: transformar lançamentos espaciais de eventos relativamente raros em algo frequente e quase rotineiro.