Na prática, um produto criado para cumprir regras anteriores acabou se tornando inviável quando as regras mudaram novamente.
Posteriormente, houve ajustes nas políticas que permitiram exportações limitadas do H200, um acelerador de IA mais poderoso que o H20, mas ainda abaixo dos chips mais avançados proibidos para a China.
Mesmo assim, o progresso tem sido lento. Reguladores dos EUA aprovaram vendas do H200 para cerca de dez empresas chinesas — incluindo grandes plataformas de nuvem —, mas nenhuma entrega havia sido concluída até meados de 2026 .
Mesmo quando existe autorização formal, a incerteza sobre licenças, prazos de envio e possíveis novas restrições torna arriscado para empresas chinesas basear grandes projetos de IA em hardware da Nvidia.
Para projetos de infraestrutura de IA que exigem anos de planejamento e bilhões de dólares em investimento, a confiabilidade do fornecimento pesa quase tanto quanto o desempenho do chip.
Diante dessas limitações, a China intensificou sua estratégia de autossuficiência em semicondutores.
Políticas industriais e investimentos estão focados em construir um ecossistema doméstico de computação para IA. Relatórios indicam que fabricantes chineses estão preenchendo o espaço deixado pela Nvidia, enquanto o governo incentiva empresas a adotarem plataformas locais sempre que possível .
A lógica é estratégica: reduzir dependência de tecnologia americana e evitar que futuras infraestruturas de IA sejam interrompidas por decisões externas.
Nesse cenário, a Huawei se tornou a maior beneficiária da mudança.
A empresa vem expandindo rapidamente sua família de chips Ascend, que já está sendo adotada por provedores de nuvem e instituições de pesquisa na China.
Segundo relatórios citados pelo Financial Times, a Huawei pode capturar a maior fatia do mercado chinês de chips de IA em 2026, à medida que empresas procuram alternativas domésticas à Nvidia .
Alguns fatores explicam esse avanço:
Mesmo que GPUs da Nvidia continuem superiores em vários cenários técnicos, essa vantagem perde peso quando o fornecimento não é garantido.
Curiosamente, o enorme crescimento global da Nvidia reduz o impacto imediato da perda do mercado chinês.
Com a explosão da demanda mundial por infraestrutura de IA, a empresa pode redirecionar produção para mercados onde não há restrições comerciais.
Alguns relatórios indicam que a Nvidia chegou a realocar capacidade de fabricação para chips de próxima geração destinados a mercados sem limitações, em vez de continuar apostando em produtos específicos para a China .
Na prática, a empresa enfrenta uma escolha estratégica:
No curto prazo, a segunda opção tem sido mais simples.
O que está acontecendo na China ilustra como restrições tecnológicas podem remodelar mercados ao longo do tempo.
Depois que esse ciclo começa, recuperar participação de mercado pode se tornar extremamente difícil — mesmo que restrições sejam flexibilizadas no futuro.
A Nvidia não perdeu espaço na China por falta de demanda. O problema é que restrições de exportação, incerteza regulatória e atrasos nas entregas transformaram a empresa em um fornecedor pouco previsível para grandes projetos de IA no país.
Essa situação acelerou a estratégia chinesa de desenvolver chips próprios — e abriu espaço para a Huawei se tornar a principal fornecedora de poder computacional de IA no mercado doméstico.
Globalmente, a Nvidia continua dominante. Mas dentro da China, está surgindo um ecossistema paralelo de IA baseado em chips nacionais.