A equipe de segurança do openSUSE descobriu que um empacotador da comunidade implementou uma solução alternativa que contornava o mecanismo padrão de empacotamento RPM. Esse método permitia instalar certos componentes restritos sem passar pelo processo normal de revisão de segurança.
Esse tipo de desvio é considerado grave porque as regras de empacotamento existem justamente para garantir que componentes que interagem com partes sensíveis do sistema passem por auditorias rigorosas.
Após a descoberta, o projeto decidiu remover os pacotes do Deepin de suas distribuições até que os problemas fossem resolvidos.
Além das violações de política de empacotamento, revisões técnicas apontaram problemas de segurança em componentes do Deepin.
Alguns relatórios destacaram riscos relacionados a:
Um exemplo frequentemente citado foi o serviço D‑Bus do gerenciador de arquivos do Deepin, cuja revisão de segurança estava em andamento havia anos sem chegar a uma conclusão estável. Revisores observaram que algumas correções resolviam apenas parcialmente os problemas ou introduziam novos riscos em versões posteriores.
Como serviços D‑Bus podem expor funcionalidades do sistema a aplicativos, qualquer erro de design ou permissões mal configuradas pode abrir portas para acesso indevido se não for cuidadosamente auditado.
Outro fator importante foi a comunicação limitada com os desenvolvedores principais do Deepin (o chamado upstream).
Mantenedores do openSUSE relataram dificuldades para obter respostas consistentes durante revisões de segurança. Em alguns casos, correções fornecidas não resolviam completamente os problemas identificados.
Para distribuições Linux, a colaboração com o upstream é fundamental. Sem isso, torna‑se mais difícil:
Quando esses fatores se somam a violações de política e problemas técnicos, manter o software nos repositórios oficiais deixa de ser viável.
A remoção do Deepin dos repositórios não significa que o ambiente de desktop deixou de existir. Apenas indica que Fedora e openSUSE não irão mais distribuí‑lo ou mantê‑lo oficialmente.
Usuários que preferem o Deepin ainda têm algumas alternativas:
No entanto, há um ponto importante: pacotes fora dos repositórios oficiais podem não passar pelo mesmo nível de auditoria de segurança exigido por distribuições como Fedora ou openSUSE.
O caso do Deepin evidencia uma realidade importante no mundo Linux: popularidade ou aparência não são suficientes para garantir presença em uma distribuição.
Projetos precisam demonstrar:
Quando esses requisitos não são atendidos, até ambientes de desktop populares podem ser removidos.
No fim, a decisão de Fedora e openSUSE reflete uma postura conservadora em relação à segurança — priorizando manutenção confiável e revisão rigorosa de código acima da variedade de opções disponíveis nos repositórios.