Essas regras, ampliadas em 2023 pelo Departamento de Comércio dos EUA, restringem a exportação de chips avançados que ultrapassem determinados níveis de desempenho ou que possam ser usados para treinar modelos de IA ou operar supercomputadores.
Para decidir se um chip pode ou não ser exportado, os reguladores analisam métricas como:
Com esse sistema, até GPUs voltadas para jogos podem cair nas restrições caso tenham capacidade suficiente para aplicações de IA.
Para manter o produto dentro dos limites permitidos, a Nvidia precisou modificar partes do hardware — principalmente o sistema de memória.
Relatórios indicam que o núcleo da GPU baseado na arquitetura Blackwell permaneceu o mesmo, mas o subsistema de memória foi reduzido significativamente:
Essas mudanças foram suficientes para manter o chip abaixo dos limites das regras de exportação. Ainda assim, a GPU continuaria oferecendo desempenho topo de linha para jogos.
A versão anterior, a RTX 5090D original, já havia reduzido certas capacidades de IA em comparação ao modelo global, mantendo desempenho semelhante em games.
Na prática, a V2 se tornou um exemplo claro de GPU “desafinada” propositalmente — não por limitações técnicas, mas para cumprir critérios regulatórios.
Mesmo com essas adaptações, relatos indicam que o lançamento ou a disponibilidade da RTX 5090D V2 no mercado chinês se tornou incerto. Até agora, não existe uma explicação oficial clara das autoridades chinesas sobre uma decisão específica envolvendo a GPU.
Ainda assim, alguns fatores ajudam a entender o cenário:
Ou seja, cumprir as regras dos EUA não garante automaticamente acesso ao mercado chinês.
O caso da RTX 5090D V2 é apenas um capítulo de um conflito tecnológico maior.
Desde 2022, os Estados Unidos vêm ampliando controles de exportação para limitar o acesso da China a chips avançados e tecnologias de fabricação de semicondutores. Essas regras foram reforçadas em 2023 e passaram a cobrir mais categorias de hardware e equipamentos de fabricação.
O objetivo é reduzir a capacidade da China de desenvolver supercomputadores e sistemas avançados de inteligência artificial.
Como GPUs modernas são amplamente usadas em IA, muitos dos produtos mais poderosos da Nvidia acabaram entrando nas categorias restritas.
Isso obrigou a empresa a criar versões modificadas para a China — como as RTX 4090D e RTX 5090D.
O impacto dessas políticas já é visível no mercado.
Segundo o CEO da Nvidia, Jensen Huang, a participação da empresa no mercado chinês de aceleradores avançados de IA caiu de cerca de 95% para praticamente zero sob as atuais restrições de exportação.
Ao mesmo tempo, fabricantes locais ganharam espaço rapidamente.
Dados indicam que empresas chinesas passaram a representar cerca de 41% do mercado de servidores com aceleradores de IA na China em 2025, com aproximadamente 1,65 milhão de unidades enviadas.
Companhias como a Huawei vêm se beneficiando da mudança, desenvolvendo chips de IA como a linha Ascend e ampliando receitas à medida que empresas chinesas procuram alternativas ao hardware americano.
O caso da RTX 5090D V2 aponta para mudanças profundas na indústria de semicondutores.
Algumas tendências começam a ficar claras:
1. Chips cada vez mais moldados por regulações.
Fabricantes agora projetam GPUs pensando em limites legais tanto quanto em desempenho técnico.
2. Fragmentação do mercado global.
A mesma GPU pode existir em versões diferentes dependendo do país e das restrições políticas.
3. Avanço da indústria chinesa de semicondutores.
Com menos acesso a chips estrangeiros avançados, empresas chinesas têm incentivo para desenvolver soluções próprias.
4. Mudança na estratégia da Nvidia.
A empresa depende cada vez mais de versões adaptadas ou limitadas de seus chips para continuar presente no mercado chinês.
Mais do que uma placa de vídeo para jogos, a RTX 5090D V2 virou um símbolo de como geopolítica e engenharia passaram a caminhar juntas na indústria de chips.
O que antes seria apenas um novo modelo de GPU topo de linha agora é o resultado de regras de exportação, disputas estratégicas e competição global por liderança em inteligência artificial.
E, à medida que a corrida por IA se intensifica, produtos criados especificamente para certos países — e as tensões comerciais por trás deles — tendem a se tornar cada vez mais comuns.