A segunda fase amplia o serviço além das remessas. A nsave planeja oferecer contas internacionais em moedas estáveis, incluindo:
Essas contas permitem que usuários guardem dinheiro em moedas mais estáveis e tenham acesso a infraestrutura financeira global. A plataforma também prevê, no futuro, recursos como transferências internacionais, cartões de pagamento e ferramentas de poupança conectadas a essas contas.
Em economias com inflação elevada ou moedas instáveis, manter parte do patrimônio em moeda forte pode ajudar a proteger o valor do dinheiro ao longo do tempo.
Grande parte desse isolamento financeiro vem do fenômeno conhecido como "de‑risking".
Mesmo quando determinadas transações são legais, muitos bancos preferem evitar qualquer operação ligada a países considerados de alto risco. Isso reduz a exposição a problemas regulatórios ou violações de sanções, mas também acaba excluindo pessoas comuns do sistema financeiro.
No caso da Síria, anos de conflito, sanções internacionais e restrições regulatórias dificultaram abrir contas no exterior, receber pagamentos ou participar de transações globais.
Operar em um ambiente regulatório sensível exige controles rigorosos.
A nsave afirma que utiliza processos padrão de KYC (Know Your Customer) e AML (Anti‑Money Laundering) para verificar a identidade dos usuários e reduzir riscos de fraude, lavagem de dinheiro ou financiamento do terrorismo. Isso inclui envio de documentos e verificação de identidade antes da ativação das contas.
As contas podem ser bloqueadas ou encerradas se o usuário:
Essas práticas refletem os controles comuns usados por instituições financeiras reguladas em todo o mundo.
Além disso, transações realizadas na plataforma passam por monitoramento de risco. Sistemas de pagamento podem suspender ou revisar transferências que pareçam potencialmente associadas a entidades sancionadas ou atividades ilícitas.
Detalhes completos sobre como o risco é dividido entre parceiros bancários, provedores de pagamento e os próprios sistemas da nsave ainda são limitados publicamente, mas os materiais disponíveis indicam que há triagem de sanções e regras de compliance aplicadas em diferentes etapas da operação.
O lançamento acontece em um momento de mudanças no cenário regulatório internacional envolvendo a Síria.
Em maio de 2025, a União Europeia removeu a maior parte das sanções econômicas setoriais contra o país, incluindo restrições ligadas aos setores bancário e financeiro. A decisão foi apresentada como parte de um esforço para apoiar a recuperação econômica e a transição política após mudanças no governo sírio.
Mesmo assim, operações financeiras envolvendo o país ainda exigem atenção às regras de sanções e compliance internacionais, o que explica a cautela de bancos e fintechs ao abrir novos corredores financeiros.
A nsave se apresenta como uma plataforma voltada para pessoas que vivem em economias instáveis ou financeiramente isoladas. O lançamento na Síria é um dos exemplos mais claros dessa proposta.
Se o modelo funcionar, ele pode mostrar que fintechs — combinando tecnologia e controles regulatórios — conseguem oferecer serviços financeiros a populações que bancos tradicionais deixaram de atender.
Para muitos sírios, o impacto potencial é bastante prático: receber remessas com mais facilidade, guardar dinheiro em moedas mais estáveis e voltar a ter algum acesso à rede financeira global após anos de isolamento.