Segundo a companhia, o conflito no Oriente Médio elevou a incerteza econômica e afetou a confiança dos consumidores. Isso tem levado passageiros a adiar reservas ou buscar preços mais baixos, pressionando as tarifas.
Em semanas recentes, os preços de passagens chegaram a recuar, refletindo preocupações com inflação, combustível e possíveis interrupções no fornecimento de energia.
A Ryanair terminou o ano fiscal de 2026 com lucro recorde de €2,26 bilhões, alta de 40% em relação ao ano anterior, transportando cerca de 208 milhões de passageiros.
Apesar desse desempenho, a empresa afirmou que ainda é cedo para divulgar uma previsão confiável de lucro para o ano fiscal de 2027, justamente porque o conflito e a volatilidade do petróleo tornaram o cenário imprevisível.
O CEO Michael O’Leary já indicou que os resultados podem sofrer “um pouco de pressão” caso os preços do petróleo permaneçam elevados por mais tempo.
Para companhias aéreas de baixo custo, o verão europeu é o período que normalmente compensa meses mais fracos do ano.
Se as tarifas não aumentam enquanto custos continuam voláteis — especialmente combustível — a receita por passageiro pode não acompanhar as despesas operacionais, comprimindo margens.
Isso é particularmente relevante porque combustível costuma representar entre 20% e 35% dos custos operacionais de uma companhia aérea.
Um dos principais amortecedores da Ryanair contra o choque nos preços de energia é sua estratégia de hedge.
A companhia já garantiu aproximadamente 80% do combustível de aviação necessário para o FY2027 a cerca de US$67 por barril.
Esse tipo de contrato permite travar preços antecipadamente e reduzir a exposição a picos no mercado de petróleo. Ainda assim, o hedge não elimina totalmente os riscos:
No início do conflito, havia temores de que interrupções no Estreito de Hormuz — um dos principais corredores globais de transporte de petróleo — pudessem causar escassez de combustível de aviação na Europa.
Cerca de 25% a 30% do combustível de aviação usado na Europa tem origem no Golfo Pérsico, segundo estimativas do setor.
Mais recentemente, executivos da Ryanair disseram que o risco imediato de escassez de combustível na Europa parece estar diminuindo, já que fornecedores estão adaptando rotas e suprimentos. Mesmo assim, o impacto indireto no preço do petróleo continua sendo uma preocupação.
O alerta da Ryanair não se limita à empresa. Ele reflete um cenário mais amplo para a aviação europeia:
Essa combinação pode reduzir margens em toda a indústria, especialmente para companhias que dependem de tarifas baixas e volumes elevados de passageiros.
Em resumo: a Ryanair continua financeiramente sólida após um ano recorde, mas o conflito no Oriente Médio adicionou uma camada de risco. Com tarifas de verão sem crescimento e custos de combustível imprevisíveis, o desempenho financeiro em 2027 dependerá em grande parte da evolução dos preços do petróleo e da confiança dos consumidores.