Pelas regras da UE, quando uma Iniciativa de Cidadania Europeia ultrapassa um milhão de assinaturas verificadas em vários países, a Comissão Europeia precisa analisá‑la e responder oficialmente.
Em maio de 2026, a Comissão publicou uma comunicação oficial respondendo à ECI “Ban on conversion practices in the European Union”, poucos dias antes do IDAHOBIT.
A resposta reafirma o compromisso da União Europeia com a proteção dos direitos LGBTIQ+. No entanto, as evidências disponíveis indicam que a Comissão ainda não apresentou uma proposta de lei para proibir essas práticas em toda a UE.
Em vez disso, o órgão destacou que está avaliando possibilidades legais e incentivou os Estados‑membros a combater ou proibir essas práticas em nível nacional, descrevendo-as como intervenções prejudiciais que tentam alterar ou suprimir a identidade de uma pessoa.
A nova estratégia define o roteiro da União Europeia para promover igualdade e inclusão nos próximos anos. Ela parte do princípio de que todos no bloco devem estar “seguros e livres para ser quem são”.
De acordo com documentos institucionais, o plano está estruturado em três pilares principais:
Proteção
Fortalecer a proteção contra violência, crimes de ódio, assédio e outras práticas prejudiciais que afetam pessoas LGBTIQ+, incluindo respostas mais eficazes a discriminação e ataques motivados por preconceito.
Empoderamento
Promover igualdade de participação na vida social, econômica e política — com medidas para reforçar órgãos de igualdade e garantir não discriminação em áreas como emprego e serviços públicos.
Engajamento
Estimular a cooperação entre instituições da UE, governos nacionais e organizações da sociedade civil para implementar políticas inclusivas em todo o bloco.
A estratégia também busca integrar a igualdade LGBTIQ+ em diversas áreas de políticas europeias, dentro da visão mais ampla de uma “União da Igualdade”.
O destaque dado ao tema no IDAHOBIT ocorre em um contexto de preocupação crescente com discriminação e violência contra pessoas LGBTIQ+ na Europa.
Dados e relatórios da própria União Europeia indicam que cerca de um em cada três indivíduos LGBTIQ+ relatou ter sofrido discriminação nos últimos 12 meses.
Pesquisas de grande escala da Agência da União Europeia para os Direitos Fundamentais também apontam que assédio e violência continuam difundidos, mesmo com avanços graduais na aceitação social.
Nesse cenário, o apoio massivo à iniciativa contra práticas de conversão — que ultrapassou rapidamente a marca de um milhão de assinaturas — revela pressão pública crescente por medidas mais fortes de proteção.
O que aconteceu em torno do IDAHOBIT em 2026 mostra uma mudança na forma como a UE trata os direitos LGBTIQ+. Campanhas simbólicas agora estão cada vez mais ligadas a iniciativas cidadãs, debates parlamentares e estratégias políticas de longo prazo.
Embora a discussão sobre uma proibição legal em toda a União ainda esteja em andamento, a combinação de mobilização popular, escrutínio parlamentar e a nova estratégia de igualdade indica que o tema deve permanecer no centro da agenda política europeia nos próximos anos.