Mas no pregão seguinte o cenário mudou.
Em 14 de maio, os ETFs de Bitcoin registraram entrada líquida de US$ 131 milhões, com o IBIT liderando novamente — desta vez com cerca de US$ 144 milhões em novos aportes .
Oscilações rápidas como essa são comuns porque os fluxos de ETFs podem variar diariamente quando:
Quando se observa um período maior, a tendência também parece menos negativa. Na semana de 4 a 8 de maio, os ETFs spot de Bitcoin nos EUA registraram US$ 623 milhões em entradas líquidas, marcando a sexta semana consecutiva de fluxos positivos, com o IBIT captando a maior parte do capital novo .
Esse contexto mais amplo torna difícil sustentar a ideia de que instituições estavam abandonando o Bitcoin naquele momento.
Para entender as movimentações on‑chain, é importante conhecer a estrutura dos ETFs.
Grandes intermediários institucionais chamados participantes autorizados (authorized participants ou APs) são responsáveis por criar ou resgatar cotas do ETF em grandes blocos chamados “baskets”.
Quando muitos investidores vendem cotas do ETF:
Mudanças regulatórias em 2025 passaram a permitir que alguns ETFs de criptomoedas utilizem criações e resgates “in‑kind”, ou seja, diretamente com o ativo subjacente, em vez de apenas em dinheiro . O próprio registro do IBIT também prevê esse tipo de operação como alternativa ao modelo em cash
.
Na prática, isso significa que Bitcoin pode sair das carteiras do ETF quando ocorre um resgate — algo que aparece claramente na blockchain, mas cuja causa real é a retirada de investidores, não uma decisão da gestora de vender.
Mesmo com eventuais resgates, o IBIT continua sendo um dos maiores detentores institucionais de Bitcoin do mundo.
Estimativas indicam que o fundo possuía aproximadamente 817.000 BTC em meados de maio de 2026, o que representa uma fatia relevante do total de Bitcoin em circulação .
Em alguns momentos empresas que acumulam BTC em tesouraria, como a Strategy (antiga MicroStrategy), podem ultrapassar temporariamente o ETF em holdings após grandes compras. Ainda assim, o IBIT permanece entre os maiores veículos globais de exposição institucional ao Bitcoin.
Quando todos esses dados são analisados em conjunto, o quadro aponta mais para volatilidade normal de fluxos de ETF do que para uma virada institucional claramente pessimista.
Algumas conclusões importantes:
Um sinal mais convincente de mudança de sentimento institucional seria várias semanas consecutivas de saídas líquidas na maioria dos ETFs, queda consistente das reservas de BTC dos fundos e deterioração da liquidez nesses produtos ao mesmo tempo.
Alertas on‑chain mostrando Bitcoin saindo de carteiras associadas à BlackRock não significam automaticamente que a empresa está “despejando” BTC no mercado.
Na maioria das vezes, essas movimentações refletem apenas o funcionamento normal dos ETFs — respondendo às entradas e saídas de investidores. Para avaliar o sentimento institucional de fato, o indicador mais relevante continua sendo a tendência de fluxos ao longo de semanas ou meses, não uma única movimentação de carteira.