O resultado mais concreto foi simbólico: evitar uma deterioração maior do relacionamento. Os dois lados demonstraram disposição para continuar conversando e manter negociações por meio de canais diplomáticos futuros.
Questões críticas permaneceram sem solução. Um exemplo importante envolve Taiwan. Trump afirmou que ainda não decidiu se aprovará um grande pacote de armas para a ilha após ouvir objeções de Xi durante as conversas — sinal de que Taiwan continua sendo um dos pontos mais sensíveis da relação bilateral .
Na prática, a cúpula parece ter colocado um “piso” temporário na relação, impedindo novas escaladas imediatas, mas sem redefinir o relacionamento. A competição estratégica — militar, econômica e tecnológica — continua sendo a característica dominante das relações EUA–China.
Outro tema importante no período foi a crescente preocupação americana com o programa de modernização nuclear chinês. Parlamentares e autoridades de defesa dos EUA alertaram que Pequim tem expandido suas capacidades nucleares em ritmo sem precedentes nos últimos anos .
Relatórios mencionam a construção de centenas de novos silos de mísseis e a modernização acelerada de sistemas de lançamento, fatores que levantam dúvidas em Washington sobre o equilíbrio futuro da dissuasão nuclear global .
Apesar dessas preocupações, especialistas não esperavam avanços significativos em controle de armas nucleares durante a cúpula. Historicamente, a China resiste a aderir a acordos de redução de arsenais semelhantes aos tratados entre EUA e Rússia, argumentando que seu arsenal ainda é muito menor que o das duas potências nucleares da Guerra Fria .
Alguns analistas sugeriram, no entanto, que os dois países poderiam iniciar conversas sobre novos riscos estratégicos associados a tecnologias emergentes, especialmente o uso de inteligência artificial em sistemas de comando e decisão nuclear .
Enquanto a diplomacia avançava no nível internacional, um caso judicial nos Estados Unidos chamou atenção para outra dimensão da rivalidade entre os dois países.
Em 13 de maio de 2026, um júri federal em Brooklyn condenou Lu Jianwang — também conhecido como “Harry Lu” — por atuar como agente ilegal do governo chinês e por obstrução da justiça. Segundo promotores, ele ajudou a operar um posto policial não declarado em Manhattan ligado ao Ministério da Segurança Pública da China .
De acordo com as autoridades americanas, o escritório fazia parte de uma rede destinada a monitorar e pressionar dissidentes chineses que vivem no exterior. Entre as evidências apresentadas estavam comunicações associadas a ordens de autoridades chinesas e ações destinadas a localizar ou intimidar ativistas pró‑democracia .
O caso foi considerado significativo porque está entre as primeiras ações criminais nos EUA relacionadas a supostos “postos policiais no exterior” vinculados à China. Para autoridades americanas, o episódio reforça preocupações sobre repressão transnacional e atividades de influência estrangeira não declaradas dentro do país .
A competição tecnológica — especialmente em torno da inteligência artificial — foi outro tema central nas discussões daquele período.
Especialistas esperavam que sistemas militares baseados em IA, capacidades cibernéticas e a corrida tecnológica entre EUA e China fossem pontos relevantes no contexto da cúpula em Pequim . Há preocupação de que sistemas avançados de IA possam transformar o modo como guerras são conduzidas, permitir ataques cibernéticos mais sofisticados e acelerar decisões em crises militares
.
A rivalidade também envolve políticas industriais, cadeias globais de semicondutores e controles de exportação de tecnologia. Ambos os países buscam garantir vantagem estratégica nessas áreas, o que torna improvável um grande acordo tecnológico no curto prazo .
Outra frente crescente da rivalidade envolve operações de influência e competição informacional relacionadas a Taiwan.
Análises de política e estudos governamentais indicam que Pequim tem usado cada vez mais propaganda coordenada, manipulação de informações e ferramentas cibernéticas para influenciar narrativas sobre a ilha e moldar a opinião pública na região . Essas atividades fazem parte de uma estratégia mais ampla frequentemente descrita como “guerra cognitiva”, voltada a enfraquecer a confiança nas instituições políticas de Taiwan e em suas parcerias com os Estados Unidos.
Para Washington e seus aliados, essas campanhas mostram que a disputa geopolítica atual vai além do campo militar ou econômico e se estende também ao ambiente informacional.
Considerando todos esses acontecimentos, o início de maio de 2026 ilustra bem o padrão emergente nas relações entre Estados Unidos e China.
O diálogo diplomático continua — simbolizado pela cúpula Xi–Trump —, mas ocorre em paralelo a uma competição crescente em diversas áreas: poder militar, dissuasão nuclear, liderança tecnológica, segurança interna e influência informacional.
Em vez de indicar uma aproximação entre as duas potências, os eventos do período reforçam uma realidade central da política internacional contemporânea: EUA e China estão envolvidos em uma rivalidade estratégica de longo prazo que ambos tentam administrar sem permitir que evolua para um confronto direto.