Autoridades dos Estados Unidos atribuíram o ataque a operadores norte‑coreanos identificados como “TraderTraitor”, um grupo associado à infraestrutura de ciberoperações do país.
Segundo análises de inteligência de ameaças, o ataque envolveu um comprometimento da cadeia de desenvolvimento de software, no qual ferramentas ou componentes confiáveis foram adulterados com código malicioso. A empresa de segurança CrowdStrike associa a operação a um cluster conhecido como PRESSURE CHOLLIMA, que distribuiu software trojanizado dentro do ecossistema utilizado pela exchange.
Depois de obter acesso privilegiado, os invasores transferiram grandes volumes de criptomoedas e espalharam os fundos por milhares de endereços em diferentes blockchains, dificultando o rastreamento.
Dados de análise de blockchain mostram que os US$ 2,02 bilhões roubados por grupos ligados à Coreia do Norte em 2025 representam um aumento de 51% em relação ao ano anterior, mesmo com um número menor de incidentes.
Isso sugere uma mudança estratégica: em vez de muitos ataques menores, os hackers passaram a focar em invasões de alto impacto contra grandes plataformas de criptomoedas e infraestrutura financeira digital.
Pesquisadores descrevem esse modelo como uma forma de cibercrime “industrializado”, com operações organizadas que incluem infraestrutura própria para acesso inicial, roubo e lavagem de dinheiro.
O caso da Bybit mostra uma tendência crescente: em vez de atacar diretamente uma empresa, os invasores exploram relações de confiança entre softwares e fornecedores.
Ao comprometer ferramentas de desenvolvimento ou dependências de software, hackers podem distribuir atualizações ou programas adulterados que as próprias vítimas instalam sem perceber.
Esse tipo de ataque se tornou especialmente perigoso porque explora a confiança existente dentro de ecossistemas tecnológicos complexos.
Relatórios de inteligência indicam que grupos de ameaça estão usando ferramentas de inteligência artificial para melhorar campanhas de phishing, impersonação e coleta de informações sobre alvos.
A IA pode ajudar a:
Isso permite que campanhas de engenharia social sejam executadas em escala muito maior e com maior credibilidade.
Outro método importante envolve operativos norte‑coreanos que se passam por profissionais de TI ou desenvolvedores remotos.
Autoridades afirmam que redes organizadas utilizam identidades roubadas ou falsas para conseguir empregos remotos em empresas de tecnologia — incluindo companhias ligadas ao ecossistema de criptomoedas.
Uma vez contratados, esses trabalhadores podem:
Grandes empresas de tecnologia relatam ter bloqueado milhares de tentativas desse tipo de infiltração, o que indica a escala da operação.
Pesquisadores de segurança dizem que campanhas ligadas à Coreia do Norte cada vez mais combinam ataques técnicos com infiltração humana — funcionários, parceiros ou contratados comprometidos.
Esse modelo híbrido permite contornar muitas defesas tradicionais de segurança, que normalmente focam apenas em malware ou exploração técnica.
Empresas de segurança rastreiam as operações cibernéticas norte‑coreanas usando nomes de clusters em vez de uma única organização formal.
Entre os grupos monitorados:
Relatórios públicos trazem menos detalhes confirmados ligando incidentes específicos de 2025 a clusters como FAMOUS CHOLLIMA ou STARDUST CHOLLIMA, embora eles sejam acompanhados como parte do ecossistema mais amplo de operações cibernéticas da Coreia do Norte.
Depois de grandes roubos, os fundos são movimentados rapidamente por milhares de endereços e diferentes criptomoedas, criando múltiplas camadas de transações.
Investigações mostram que operadores norte‑coreanos usam também:
Essas ferramentas ajudam a dificultar o rastreamento dos ativos roubados. Em alguns casos, uma parte significativa do dinheiro é movimentada ou lavada em poucas semanas após o ataque.
Autoridades dos Estados Unidos e de outros países afirmam que esses roubos não são apenas crimes financeiros — eles também funcionam como fonte de receita para o Estado norte‑coreano.
Segundo declarações governamentais, o dinheiro obtido com ciberataques ajuda o regime a contornar sanções internacionais e financiar programas militares, incluindo desenvolvimento de mísseis balísticos e armas nucleares.
Por causa disso, agências de segurança e investigação têm intensificado operações para identificar redes de lavagem de dinheiro e interromper a infraestrutura usada nesses ataques.
O recorde de roubos em 2025 mostra uma mudança clara no cenário de ameaças digitais:
Pesquisadores afirmam que o setor precisará investir mais em segurança da cadeia de suprimentos, verificação rigorosa de identidade para trabalhadores remotos e monitoramento avançado de transações em blockchain.
Com a expansão do mercado de criptomoedas, especialistas acreditam que as técnicas refinadas em 2025 indicam que o cibercrime patrocinado por estados continuará sendo um dos maiores desafios de segurança para o setor financeiro digital.
Comments
0 comments