Essa arquitetura cria padrões de interferência óptica extremamente complexos que codificam o problema de amostragem.
Segundo os resultados divulgados, o Jiuzhang 4.0 estabeleceu um recorde mundial em experimentos de informação quântica óptica ao aumentar drasticamente o número de fótons envolvidos em um teste de Gaussian boson sampling.
Os pesquisadores relatam que o protótipo resolveu o problema de amostragem mais de 10^54 vezes mais rápido do que os supercomputadores clássicos mais poderosos, sob determinadas suposições de modelagem.
Comparações desse tipo dependem do algoritmo clássico usado para simulação, mas o experimento é apresentado como evidência de vantagem computacional quântica robusta — ou seja, um cenário em que a simulação clássica se torna extremamente difícil mesmo com melhorias nos métodos tradicionais.
O Jiuzhang 4.0 é a versão mais recente de uma série de protótipos fotônicos desenvolvidos pelo mesmo grupo de pesquisa.
O modelo anterior, Jiuzhang 3.0, demonstrou 255 fótons detectados em um experimento de boson sampling.
A nova geração amplia vários aspectos importantes:
Escala de fótons
Arquitetura do sistema
O Jiuzhang 4.0 utiliza 1.024 fontes de estados comprimidos e uma rede óptica programável com 8.176 modos, aumentando significativamente a complexidade do circuito fotônico.
Programabilidade
Ao contrário de configurações experimentais mais rígidas, o novo sistema funciona como uma plataforma fotônica programável, permitindo diferentes configurações de transformações ópticas dentro do mesmo hardware.
Essas melhorias permitem gerar estados quânticos muito maiores e distribuições de amostragem mais complexas do que nos dispositivos anteriores.
O Gaussian boson sampling não é um problema de computação de uso geral. Em vez disso, ele funciona como um teste de referência para avaliar se dispositivos quânticos podem superar algoritmos clássicos.
A dificuldade surge da matemática envolvida no cálculo das probabilidades de detecção de fótons. Para sistemas grandes, esses cálculos dependem de funções como loop hafnians, cuja complexidade cresce exponencialmente com o número de fótons.
Isso significa que, conforme aumentam o número de fótons e os modos ópticos, a simulação clássica se torna rapidamente impraticável. Experimentos como o Jiuzhang 4.0 exploram exatamente essa fronteira.
O Jiuzhang 4.0 demonstra que hardware quântico fotônico pode escalar para milhares de fótons mantendo fidelidade suficiente para experimentos de vantagem quântica.
Isso tem algumas implicações importantes:
Ainda assim, o Jiuzhang 4.0 não é um computador quântico universal. Ele executa um experimento especializado de amostragem, e não programas arbitrários como um computador tradicional.
A série Jiuzhang ilustra uma estratégia global importante: diferentes tecnologias competindo para alcançar computação quântica escalável. Além da abordagem fotônica, há também plataformas baseadas em qubits supercondutores, íons aprisionados e átomos neutros.
Com seu experimento de 3.050 fótons, o Jiuzhang 4.0 representa uma das maiores demonstrações fotônicas já realizadas. Ainda não está claro se sistemas desse tipo evoluirão para computadores quânticos universais tolerantes a falhas, mas o avanço mostra que a computação quântica baseada em luz está progredindo rapidamente em direção a esse objetivo.