O principal mecanismo de transmissão da dor econômica é o mercado de petróleo. A classificação da AIE sobre essa disrupção de oferta como "histórica" mostra a gravidade da situação .
O impacto imediato foi sentido nas bombas de gasolina. Nos EUA, os preços dispararam cerca de 25% em apenas duas semanas após os ataques dos EUA e de Israel ao Irã . Uma pesquisa do Fed de Dallas confirmou que o choque do petróleo rapidamente foi repassado aos preços da gasolina no varejo, com as autoridades do banco central americano expressando preocupação com um pico de inflação de curto prazo vindo diretamente dos custos de energia
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Um ponto crucial é que a inflação nos EUA já estava estagnada acima dos 3% antes do início do conflito, tornando a economia particularmente vulnerável a uma nova onda de preços puxada pela energia. O BNP Paribas avaliou que a inflação é agora o principal risco macroeconômico, com os EUA mais expostos do que outras economias avançadas devido à sua dependência de suprimentos externos de energia . A OCDE reforçou isso, alertando que a quase paralisação dos embarques de energia por Ormuz ameaça empurrar a inflação para cima de forma acentuada em todo o mundo
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O choque do petróleo colocou os bancos centrais, particularmente o Federal Reserve (o Fed), em um doloroso dilema político, descrito por um economista como "totalmente paralisado" .
A combinação de crescimento em desaceleração e inflação crescente movida a energia reviveu o termo "estagflação" no discurso econômico. O conflito foi explicitamente comparado à crise de energia dos anos 1970, com suas graves faltas de suprimento, volatilidade cambial e riscos elevados de recessão .
O próprio JPMorgan observou que, embora a economia dos EUA seja muito menos intensiva em petróleo do que era nos anos 1970, as potenciais disrupções no fornecimento de petróleo e gás deste conflito podem rivalizar ou até mesmo superar as daquela época . Autoridades de política monetária em todo o mundo alertaram sobre os crescentes riscos de estagflação
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O BNP Paribas avalia que um episódio completo de estagflação permanece improvável para a zona do euro, mas os EUA estão notavelmente mais vulneráveis. Sua análise aponta para a inflação americana estagnada acima de 3% e uma maior dependência de suprimentos externos de energia como os principais fatores de risco . O dilema central para os formuladores de políticas é gritante: reduzir os juros para apoiar o crescimento, e corre-se o risco de desencadear outro surto inflacionário; aumentar ou manter os juros para combater a inflação, e corre-se o risco de jogar a economia em uma recessão.
Apesar do pessimismo, existem alguns fatores de mitigação. Analistas do JPMorgan também observaram que os mercados globais de energia entraram em 2026 em uma posição de força relativa, com a OPEP+ (Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados) possuindo capacidade ociosa e a produção de xisto dos EUA perto de níveis recordes . No entanto, a Bloomberg Economics alertou que, mesmo que um bloqueio em Ormuz seja suspenso, danos significativos às instalações regionais de energia levarão meses para serem reparados, o que significa que as interrupções no fornecimento podem persistir muito tempo depois que os combates cessarem
. Por ora, a era 'Cachinhos Dourados' acabou definitivamente, substituída por um cenário de preços mais altos, crescimento mais lento e incerteza crescente.