Na prática, isso muda a natureza do Workspace. Em vez de ser apenas um conjunto de apps que armazenam trabalho, ele passa a interpretar e gerar conteúdo automaticamente.
Esse salto pode aumentar produtividade, mas também significa que a IA começa a fazer parte da experiência padrão de edição e organização de arquivos.
A mudança mais ambiciosa do Google está acontecendo no Android.
Durante o evento Android Show: I/O Edition 2026, a empresa apresentou o conceito de Gemini Intelligence, posicionando o Android não apenas como um sistema operacional, mas como um "sistema de inteligência" orientado por IA.
A ideia é que o sistema consiga entender contexto, antecipar necessidades e agir entre aplicativos diferentes.
Entre as capacidades anunciadas:
Isso significa que o Gemini pode se tornar parte constante da experiência móvel — desde comandos de voz até navegação na web e interação com apps.
A comparação com o Microsoft Copilot não acontece por causa da tecnologia em si, mas pela estratégia de distribuição.
Nos últimos anos, a Microsoft integrou o Copilot profundamente no Windows e no Microsoft 365, o que gerou reclamações de usuários e administradores de TI que consideraram o assistente excessivamente presente ou difícil de evitar. O rollout também levou a críticas públicas e ajustes no plano original após resistência de empresas e usuários.
Críticos enxergam um paralelo com o movimento do Google: ambas as empresas estão colocando IA generativa dentro de plataformas gigantes — sistemas operacionais e suítes de produtividade usadas diariamente por bilhões de pessoas.
Do ponto de vista de distribuição, a lógica é clara: quando a IA está integrada nas ferramentas que as pessoas já usam, a adoção acontece automaticamente.
Mas esse mesmo modelo pode gerar atrito quando os usuários sentem que a tecnologia está sendo empurrada para dentro de suas rotinas.
A discussão maior que surge com o Gemini reflete um debate que atravessa toda a indústria de software:
A inteligência artificial deve ser opcional — ou parte padrão de tudo?
A estratégia atual do Google claramente aponta para ubiquidade. O Gemini já está ligado a ferramentas de colaboração do Workspace, recursos do Android e automações que atravessam aplicativos e dispositivos.
Essa abordagem tem vantagens evidentes:
Mas também levanta preocupações, especialmente para empresas e instituições públicas que precisam controlar como tecnologias automatizadas acessam dados e alteram fluxos de trabalho.
No caso do Workspace, a sensibilidade é ainda maior porque a plataforma é amplamente usada em escolas, empresas e órgãos governamentais. Mesmo quando administradores podem desativar recursos, a percepção de que a IA está ativada por padrão pode virar um problema de confiança ou aquisição.
A expansão do Gemini ocorre poucos dias antes do Google I/O 2026, onde são esperados novos anúncios e versões atualizadas da tecnologia.
Isso aumenta o escrutínio sobre a estratégia da empresa. Cada nova integração — seja em apps de produtividade, celulares ou novos dispositivos — reforça a visão do Google de uma plataforma de computação centrada em IA.
Mas também eleva o risco. A experiência da Microsoft com o Copilot mostrou que empurrar IA rápido demais pode provocar resistência, mesmo quando a tecnologia é poderosa.
O Google aposta que integrar o Gemini em todo o seu ecossistema fará com que a IA pareça uma extensão natural das ferramentas existentes — e não um produto separado.
Se essa estratégia funcionar, a empresa pode redefinir a forma como as pessoas trabalham com documentos, aplicativos e dispositivos.
Mas se errar o equilíbrio entre conveniência e controle, o mesmo fator que fortalece o Gemini — estar em todos os lugares — também pode se tornar seu maior ponto de crítica.