O desafio é que encontrar uma enzima com exatamente as características necessárias — estabilidade, atividade catalítica, seletividade ou capacidade de produção — costuma exigir milhares de testes.
O método tradicional envolve criar muitas mutações da enzima e testá‑las experimentalmente, um processo conhecido como “mutação e triagem”. Esse ciclo de tentativa e erro pode levar meses ou anos e consumir grandes quantidades de recursos de laboratório.
Para reduzir esse gargalo, a Imperagen desenvolveu uma plataforma chamada Digital Enzyme Evolution, que digitaliza e integra todo o pipeline de engenharia de enzimas.
A ideia é executar um ciclo contínuo de design‑build‑test‑learn (projetar, construir, testar e aprender) em um sistema fechado que combina computação avançada e automação laboratorial.
O primeiro passo usa modelos físicos para prever como uma enzima se comportará em nível molecular.
Simulações de mecânica quântica permitem estudar estrutura, dinâmica e reações químicas de enzimas antes mesmo de realizar experimentos. Isso ajuda a identificar mutações promissoras e reduzir drasticamente o número de variantes que precisam ser testadas no laboratório.
Depois das simulações, entram os modelos de aprendizado de máquina.
A Imperagen utiliza modelos de IA treinados com dados experimentais para prever quais mudanças na sequência da proteína podem melhorar propriedades como:
Esses sistemas identificam regiões críticas da proteína — os chamados “hotspots” — onde mutações têm maior chance de gerar melhorias.
À medida que novos experimentos geram dados, os modelos continuam aprendendo e refinando suas previsões.
Depois que os modelos sugerem novas variantes, laboratórios altamente automatizados entram em ação.
Robôs executam etapas como síntese de DNA, expressão de proteínas e testes de desempenho das enzimas. Os resultados são então enviados de volta aos modelos computacionais.
Esse fluxo cria um ciclo contínuo de otimização, no qual cada rodada de experimentos melhora a precisão das previsões da próxima.
A engenharia de enzimas é importante porque elas funcionam como biocatalisadores em diversos processos industriais.
Na fabricação de medicamentos, enzimas podem permitir rotas de síntese mais limpas e seletivas, reduzindo etapas químicas complexas e diminuindo resíduos industriais.
A tecnologia da Imperagen foi inicialmente desenvolvida com foco em descoberta de medicamentos e desenvolvimento de biocatalisadores para moléculas complexas.
Muitas empresas buscam substituir catalisadores químicos tradicionais por enzimas para reduzir consumo de energia, matérias‑primas e subprodutos tóxicos.
Enzimas melhor projetadas podem ajudar setores como:
O mesmo tipo de tecnologia pode ser aplicado a outros mercados dependentes de enzimas, como:
Nesses setores, enzimas otimizadas podem permitir processos que operem em temperaturas mais altas, com matérias‑primas mais baratas ou em condições industriais mais exigentes. As fontes disponíveis, porém, trazem poucos detalhes sobre implementações comerciais específicas nesses segmentos.
A Imperagen levantou recentemente £5 milhões em financiamento seed, liderado pela PXN Ventures, com participação de investidores existentes como IQ Capital e Northern Gritstone.
Segundo os anúncios da empresa, o capital será usado para:
A rodada também marcou a chegada de Guy Levy‑Yurista, PhD, como CEO, um executivo com experiência em empresas de tecnologia e ciências da vida.
A Imperagen faz parte de um grupo crescente de startups chamadas techbio, que combinam computação avançada, inteligência artificial e automação laboratorial para acelerar descobertas biológicas.
A lógica é transformar processos tradicionalmente experimentais em sistemas de engenharia orientados por dados, onde cada experimento alimenta um ciclo contínuo de aprendizado.
Ainda é cedo para medir o impacto real dessas plataformas. Grande parte das informações disponíveis vem de anúncios da própria empresa, e benchmarkings independentes sobre ganhos de velocidade, custo ou taxa de sucesso ainda são limitados.
Mesmo assim, se plataformas como a da Imperagen conseguirem escalar, elas podem acelerar significativamente o desenvolvimento de enzimas usadas em medicamentos, química industrial e biotecnologia, reduzindo tempo e custo para levar novos produtos ao mercado.
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