No conjunto, as refinarias atingidas nessa onda de ataques representam mais de 83 milhões de toneladas métricas de capacidade anual de processamento, cerca de 238 mil toneladas por dia. Isso equivale a aproximadamente um quarto da capacidade total de refino da Rússia.
Essas unidades respondem por uma parcela ainda maior da produção de combustíveis refinados, incluindo mais de 30% da gasolina e cerca de 25% do diesel produzidos no país.
Mesmo paralisações temporárias em instalações desse porte podem afetar o abastecimento, as exportações e o ritmo de operação das refinarias em todo o território russo.
O número de ataques também aumentou. Cálculos citados pela Reuters indicam que drones ucranianos atingiram ao menos 16 refinarias russas entre janeiro e maio de 2026, aproximadamente o dobro do registrado no mesmo período de 2025.
Essas ofensivas retiraram do sistema cerca de 700 mil barris por dia de capacidade de refino em diferentes momentos ao longo do ano.
Analistas do setor energético apontam que refinarias são particularmente vulneráveis porque dependem de sistemas complexos e equipamentos especializados. Danos a apenas uma unidade crítica — como torres de destilação ou tanques de armazenamento — podem interromper operações por semanas até que reparos sejam concluídos.
Além das refinarias, ataques também atingiram oleodutos, depósitos de combustível e infraestrutura de exportação, ampliando os impactos logísticos e operacionais.
Os efeitos já se tornaram visíveis em algumas regiões. Em Sevastopol, na Crimeia ocupada pela Rússia, autoridades locais introduziram restrições de venda de combustível após interrupções na produção.
Entre as medidas adotadas:
Relatos locais mencionaram:
Autoridades atribuíram a situação a “dificuldades logísticas” e disseram que os limites foram implementados para evitar compras em pânico.
Embora esses problemas sejam regionais, eles demonstram como interrupções em refinarias podem rapidamente se traduzir em restrições reais de abastecimento — especialmente em áreas dependentes de transporte de combustível a partir da Rússia continental.
Para evitar escassez doméstica e controlar preços, o governo russo recorreu repetidamente a restrições de exportação.
Em 2026, Moscou anunciou planos de proibir exportações de gasolina entre 1º de abril e 31 de julho, com o objetivo de manter mais combustível dentro do país.
Medidas desse tipo já foram usadas em crises anteriores do setor. Embora ajudem a estabilizar o mercado interno, elas também reduzem receitas provenientes da exportação de produtos petrolíferos.
O petróleo e seus derivados continuam sendo pilares centrais da economia russa. Impostos e receitas de exportação do setor representam uma parcela significativa das receitas do orçamento federal.
Ataques recorrentes à infraestrutura energética, portanto, têm impactos que vão além das refinarias danificadas. Analistas apontam que eles podem:
O Centro de Análise Macroeconômica e Previsão de Curto Prazo (TsMAKP), um think tank ligado ao Kremlin, alertou que ataques a portos e refinarias podem reduzir o crescimento econômico da Rússia, ao limitar exportações e produção de petróleo.
Especialistas destacam que a campanha não destrói imediatamente a indústria petrolífera russa — o país ainda possui capacidade de refino significativa e consegue compensar parte das perdas com instalações alternativas.
No entanto, ataques repetidos aumentam a frequência de paralisações e tornam mais difícil estabilizar o sistema energético.
Com o tempo, isso cria atritos em vários pontos da cadeia de energia:
Calcular o impacto total desses ataques não é simples. Desde o início da guerra, autoridades russas passaram a divulgar menos dados detalhados sobre produção e refino de combustíveis.
Por isso, muitas estimativas disponíveis — como a capacidade interrompida ou o volume de produção perdido — são baseadas em fontes da indústria, imagens de satélite e cálculos de agências de notícias como a Reuters, em vez de dados oficiais completos.
Até 2026, os ataques de drones da Ucrânia se tornaram um desafio constante para a infraestrutura energética russa. Refinarias importantes foram temporariamente fechadas, parte significativa da capacidade de refino foi interrompida em certos períodos e surgiram episódios de escassez e racionamento de combustível.
O sistema energético russo continua funcionando, mas a campanha tem imposto pressão econômica crescente — reduzindo a produção de combustíveis, complicando exportações e forçando intervenções governamentais para manter o abastecimento interno.