Esse resultado virou a hierarquia interna: em vez de correr atrás de Russell, Antonelli passou a ser o piloto com mais pontos e o principal referencial de desempenho dentro da equipe.
Em campeonatos de Fórmula 1, momento pesa muito — e agora ele está claramente com Antonelli.
Terminar em quarto lugar em uma corrida isolada normalmente não causaria tanto debate. O problema, no caso de Russell em Miami, foi o tamanho da diferença de desempenho.
Antonelli fez pole e venceu a prova, enquanto Russell cruzou a linha de chegada 43 segundos atrás do companheiro de equipe.
Essa diferença reforçou uma tendência recente. Durante a sequência de três vitórias do italiano, Antonelli tem sido consistentemente mais rápido tanto na classificação quanto no ritmo de corrida, invertendo a expectativa inicial de que Russell seria o líder natural da Mercedes.
O debate chegou até aos comentaristas da categoria. O narrador da Sky Sports, David Croft, alertou que Russell “precisa encontrar uma forma” de superar Antonelli se quiser permanecer forte na disputa pelo campeonato.
Ou seja: não é apenas a diferença de pontos — é também a percepção de que o equilíbrio interno pode estar mudando.
Apesar da pressão externa, o chefe da Mercedes, Toto Wolff, não vê o cenário de forma tão dramática.
Após a corrida, ele afirmou que o déficit de Russell em Miami “não tem relevância” para a luta pelo título, destacando que um fim de semana difícil não define toda a temporada.
Wolff também fez questão de defender o britânico, descrevendo-o como “um killer” ao volante e dizendo que espera uma reação nas próximas corridas.
Na visão da equipe, Russell já mostrou capacidade de vencer em 2026 — e ainda tem muito campeonato pela frente.
A próxima etapa, no Canadá, pode ser um ponto de virada importante para a Mercedes.
Enquanto várias equipes levaram grandes pacotes de atualização para Miami, a Mercedes introduziu apenas pequenas mudanças no carro W16 e decidiu guardar seu primeiro grande pacote de desenvolvimento para Montreal.
Wolff reconheceu a importância dessas melhorias, afirmando que o novo pacote “precisa funcionar”, especialmente depois que rivais reduziram a diferença de desempenho em Miami.
Se as atualizações ajudarem Russell a reduzir rapidamente a diferença para Antonelli, a narrativa atual pode mudar. Mas se Antonelli continuar extraindo mais performance do carro atualizado, a pressão sobre Russell deve aumentar ainda mais.
Depois de quatro corridas, a Mercedes segue com o carro mais consistente do grid e venceu todos os Grandes Prêmios até agora.
Mas a história mais interessante da temporada pode estar dentro da própria equipe.
Antonelli tem a liderança do campeonato, a sequência de vitórias e o momento a seu favor. Russell, por outro lado, ainda conta com experiência, velocidade comprovada e forte apoio do chefe da equipe.
O resultado é uma disputa interna que promete dominar a narrativa da temporada.
O que Miami realmente mudou foi o foco das atenções: pela primeira vez em 2026, George Russell é quem está correndo atrás do companheiro de equipe.