Essa não é uma acusação isolada. O Irã tem apontado, de forma consistente, o dedo para os Estados Unidos desde que a trégua foi declarada. Em 7 de maio, um porta-voz do Quartel-General Central Khatam al-Anbiya, que coordena as forças armadas iranianas, fez uma acusação semelhante após ataques americanos mirando navios no Estreito de Ormuz e posições militares na mesma província . O padrão de acusações e contra-acusações se tornou a marca registrada desse cessar-fogo, com ambos os lados recorrendo à força militar enquanto culpam um ao outro pelo rompimento da paz.
Além da linguagem diplomática inflamada, o Irã afirmou ter agido militarmente durante a recente troca de agressões. A Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC, na sigla em inglês), força de elite do país, reivindicou que suas defesas antiaéreas derrubaram um drone americano do modelo Reaper e que dispararam contra um caça furtivo F-35 que teria entrado no espaço aéreo iraniano no momento dos ataques . Embora seja difícil verificar essas alegações de forma independente — especialmente em meio à névoa de um conflito ativo —, elas têm um propósito claro na estratégia de comunicação de Teerã: demonstrar que o país não vai absorver ataques passivamente e que tem capacidade de responder a violações.
A IRGC também emitiu um alerta mais amplo, afirmando que "considera seu direito a uma resposta recíproca como legítimo e certo" e prometeu retaliar contra qualquer futura violação do cessar-fogo . A linguagem não deixa margem para dúvidas sobre o potencial de escalada do conflito.
Antes mesmo dos ataques de maio, Teerã já havia detalhado o escopo potencial de sua retaliação. Em 30 de abril e 1º de maio, altos funcionários iranianos — incluindo membros graduados da IRGC — alertaram publicamente que qualquer novo ataque americano, mesmo que limitado, seria respondido com "ataques longos e dolorosos" contra as posições dos EUA em toda a região do Oriente Médio .
Esta ameaça veio acompanhada de uma reafirmação categórica da reivindicação iraniana de controle sobre o Estreito de Ormuz, um gargalo geográfico por onde, antes da guerra, transitava cerca de 20% do petróleo mundial . Essa postura complica diretamente uma das exigências centrais de Washington: a reabertura total da via marítima. O Irã manteve o estreito fechado em retaliação a um bloqueio naval americano às suas exportações de petróleo, a principal artéria econômica de Teerã. A liderança iraniana já sinalizou que, mesmo em um eventual acordo de paz, "o Estreito de Ormuz permanecerá sob gestão iraniana"
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As ameaças não são retórica vazia. Desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, o Irã demonstrou um vasto raio de ataque, mirando embaixadas dos EUA, instalações militares e infraestrutura de petróleo — incluindo navios no próprio Estreito de Ormuz — com mísseis e drones . O país já provou que pode e vai atacar alvos americanos de forma ampla e coordenada.
A trégua costurada no início de abril existe hoje mais no nome do que na prática. Tanto os EUA quanto o Irã conduziram operações ofensivas, cada lado justificando suas ações como "defensivas" ou de "autodefesa" . O cessar-fogo foi repetidamente descrito por observadores internacionais como "frágil" e "tênue"
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As conversas de paz mediadas pelo Paquistão não conseguiram resolver o impasse fundamental. Em 10 de maio, o Irã respondeu a uma proposta de cessar-fogo americana insistindo que as negociações deveriam se concentrar em encerrar permanentemente a guerra "em todas as frentes", incluindo o Líbano (onde o Hezbollah, aliado de Teerã, luta contra Israel), e em garantir a segurança das rotas marítimas . Do outro lado, Washington continua a exigir a reabertura total do Estreito de Ormuz e um recuo do programa nuclear iraniano, enquanto o presidente Trump ameaça retomar o bombardeio em grande escala se um acordo não for alcançado
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Os ataques de 25 e 26 de maio envenenaram ainda mais a atmosfera para a diplomacia. Com a trégua repetidamente violada, uma ameaça explícita de "ataques longos e dolorosos" sobre a mesa e ambos os lados endurecendo suas posições — especialmente em relação ao controle do estreito —, o risco de um retorno total às hostilidades abertas é concreto e preocupante. A via diplomática está sob extrema pressão, e a janela para um acordo negociado se estreita perigosamente enquanto as duas nações preparam suas respostas militares.