O ponto crucial é que as plataformas de extração offshore não sofreram danos físicos. Elas foram desligadas simplesmente porque as plantas em terra que processam sua produção ficaram indisponíveis, deixando o gás sem ter para onde escoar .
O Irã reiniciou as três plataformas offshore desviando o gás bruto para outras plantas de processamento na região, enquanto os reparos continuam nas instalações em terra danificadas, incluindo a refinaria da Fase 14 . Touraj Dehqani, CEO da Pars Oil and Gas Company, confirmou a estratégia de redirecionamento e creditou o progresso aos especialistas iranianos
.
A história da Fase 14 ilustra bem essa recuperação desigual. A unidade danificada — um dos quatro trens de processamento — foi reparada e voltou a operar após cerca de dez dias, já no final de junho de 2025 . No início de julho de 2025, três dos quatro trens da planta, que tem capacidade de 2 bilhões de pés cúbicos por dia, estavam de volta à ativa, mas o quarto trem, de 500 milhões de pés cúbicos por dia, permanecia fora de operação
. Relatórios de 31 de maio de 2026 mencionam que três plataformas offshore retomaram a produção e que o gás está sendo roteado para plantas alternativas, mas não confirmam que o quarto trem da Fase 14 foi totalmente restaurado
. As evidências disponíveis sugerem que a Fase 14 ainda opera abaixo de sua capacidade anterior aos ataques.
Uma consequência direta da perda de capacidade de processamento em terra foi a interrupção do fornecimento de gás do Irã para o Iraque após os ataques de 18 de março .
Não dá para separar essa retomada parcial do conflito maior. Os EUA e Israel lançaram a Operação Epic Fury em 28 de fevereiro de 2026, atacando instalações nucleares, de comando e de energia iranianas e matando o Líder Supremo Ali Khamenei . O Irã retaliou com ataques de mísseis e drones contra ativos americanos e infraestrutura energética no Golfo, incluindo a planta de GNL de Ras Laffan, no Catar, o que forçou a QatarEnergy a declarar força maior em alguns contratos de fornecimento
.
O Irã também fechou efetivamente o Estreito de Ormuz, usando enxames de drones da Guarda Revolucionária (IRGC), minas marítimas e a declaração de uma zona de exclusão naval. Com isso, eliminou entre 80% e 90% do trânsito normal de 20 milhões de barris por dia em meados de março . Em maio de 2026, o Irã institucionalizou seu controle ao criar a Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico (PGSA, na sigla em inglês) para regular a passagem pelo estreito, enquanto Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos buscaram canais diplomáticos próprios para manter algum movimento de navios-tanque
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A diplomacia tem sido um caminho cheio de solavancos. Dezenas de países, excluindo EUA e Israel, lançaram esforços para reabrir o estreito no início de abril de 2026, mas nenhum avanço abrangente foi alcançado . Um cessar-fogo temporário foi acertado em 8 de abril e, no final de maio de 2026, negociadores americanos e iranianos teriam chegado a um acordo para reabrir o estreito e estender a trégua por 60 dias, enquanto conversas de paz mais amplas se iniciam
. Mesmo com esses passos, a arquitetura energética da região segue profundamente abalada.
A retomada de 31 de maio é um remendo tático, não uma recuperação estratégica. A produção geral de gás do Irã continua bem abaixo dos níveis anteriores à guerra, a capacidade de exportação está comprometida e a estrutura de trânsito do Estreito de Ormuz foi fundamentalmente desestruturada . Enquanto as autoridades iranianas pintam o reinício como um triunfo da expertise nacional
, a realidade mais ampla é que o suprimento de energia do Golfo Pérsico permanece sob uma nuvem de incerteza — um cenário moldado tanto pela possibilidade de o estreito realmente reabrir quanto pelo estado das refinarias danificadas em terra.