Grande parte desse movimento vem de transferências de stablecoins e do uso de soluções Layer‑2 que registram dados no Ethereum para segurança e liquidação. Isso amplia a atividade do ecossistema sem sobrecarregar diretamente a camada principal.
Historicamente, sempre que a atividade no Ethereum aumentava, as taxas de gas também disparavam. Mas os upgrades recentes mudaram essa dinâmica.
As atualizações ampliaram a capacidade de dados da rede, especialmente para rollups — um tipo de solução Layer‑2 que agrupa muitas transações e publica apenas dados compactados no Ethereum.
Com mais espaço para esses dados e maior eficiência no processamento, o sistema consegue lidar com volumes maiores de atividade sem pressionar tanto o custo por transação.
O upgrade Pectra, ativado em 7 de maio de 2025, trouxe mudanças importantes tanto para a camada de execução quanto para a de consenso do Ethereum.
Entre as principais melhorias:
Esses blobs são um tipo especial de armazenamento temporário usado para publicar dados de transações de redes Layer‑2. Ao ampliar essa capacidade, o Pectra reduziu significativamente o custo para rollups — e, consequentemente, para os usuários.
Seu principal destaque foi o Peer Data Availability Sampling (PeerDAS).
Essa tecnologia permite que os nós da rede verifiquem grandes volumes de dados de rollups amostrando pequenas partes deles, em vez de baixar todo o conteúdo. Isso reduz drasticamente os requisitos de largura de banda e armazenamento, ao mesmo tempo que permite que o Ethereum lide com volumes muito maiores de dados.
O Fusaka também introduziu:
Essas mudanças fortalecem a estratégia central do Ethereum: escalar principalmente por meio de redes Layer‑2, mantendo a segurança e descentralização da camada principal.
A arquitetura atual do Ethereum segue um princípio claro:
Rollups agrupam centenas ou milhares de transações em um único pacote e publicam os dados comprimidos no Ethereum. Como upgrades recentes ampliaram o espaço para esses dados, mais atividade pode fluir pelo sistema sem provocar grandes aumentos nas taxas.
Esse modelo explica como o Ethereum consegue hoje registrar volumes recordes de transações mantendo custos relativamente baixos.
O próximo grande passo no roadmap da rede é o upgrade Glamsterdam.
Diferentemente das atualizações anteriores, que focaram muito na escalabilidade via Layer‑2, essa fase busca melhorar diretamente o desempenho da Layer‑1.
Entre os objetivos principais:
A meta é aumentar o throughput da camada base e reduzir ainda mais as taxas de gas, complementando a estratégia baseada em rollups.
Apesar dos indicadores fortes de uso, o ecossistema enfrenta alguns pontos de atenção.
Relatórios recentes indicam uma série de saídas de pesquisadores e executivos da Ethereum Foundation durante um processo de reestruturação em 2026. Entre os nomes citados estão Tomasz Stańczak, Josh Stark, Carl Beek e Julian Ma.
Outro ponto é o desempenho de mercado do token.
Mesmo com atividade recorde na rede, o preço do ETH permaneceu mais de 50% abaixo do pico alcançado em 2025, levantando debates sobre como o valor econômico da atividade do ecossistema se reflete no ativo.
Os dados recentes indicam que o Ethereum está entrando em uma nova etapa de escalabilidade.
Upgrades como Pectra e Fusaka ampliaram a eficiência dos validadores, expandiram a capacidade de dados para rollups e fortaleceram a arquitetura modular da rede. Isso permitiu que a atividade atingisse recordes enquanto as taxas permanecem historicamente baixas.
Com o Glamsterdam e outras atualizações planejadas, o objetivo de longo prazo continua o mesmo: aumentar drasticamente a capacidade da rede sem comprometer a descentralização ou a segurança.
Se o ecossistema conseguirá manter esse ritmo — e transformar crescimento de uso em valorização de mercado — será uma das principais questões para o próximo capítulo do Ethereum.