A medida afeta tanto os voos diários da Cathay Pacific quanto os serviços cargueiros da Cathay Cargo para essas cidades. Segundo a companhia, o objetivo é dar maior segurança no planejamento de viagens enquanto as condições de segurança e de espaço aéreo na região permanecem imprevisíveis.
Em vez de deixar aviões parados, a empresa decidiu deslocar capacidade para rotas com demanda mais sólida. Entre os destinos beneficiados estão importantes cidades europeias, como Londres e Zurique, que registraram aumento na procura por viagens.
Parte dessa demanda surgiu porque passageiros passaram a evitar conexões ou rotas que atravessam o Oriente Médio, optando por hubs alternativos. Ao reforçar voos para a Europa, a Cathay busca manter a utilização da frota e proteger suas receitas.
Esse tipo de ajuste rápido na rede é comum no setor aéreo quando eventos geopolíticos alteram fluxos globais de passageiros.
Ao mesmo tempo, as companhias aéreas enfrentam um aumento significativo no preço do combustível de aviação. Dados citados pela empresa mostram que o preço médio global do querosene de aviação subiu para cerca de US$ 197,83 por barril na semana encerrada em 10 de abril de 2026, praticamente o dobro dos US$ 99,40 registrados no fim de fevereiro.
Executivos da Cathay afirmaram que essa disparada cria uma "enorme pressão de custos" para o setor aéreo mundial.
Mesmo com a demanda por viagens ainda forte, o aumento do combustível eleva os custos operacionais e torna mais complexas as decisões sobre rotas, frequência de voos e planejamento de capacidade.
Apesar das tensões geopolíticas e da volatilidade do combustível, os dados operacionais da companhia mostram que a recuperação do tráfego internacional segue firme.
Em abril de 2026, a Cathay Pacific registrou:
Nos primeiros quatro meses de 2026, o volume de passageiros também superou significativamente o mesmo período de 2025, reforçando a tendência de recuperação da aviação internacional.
A companhia atribui esse desempenho principalmente a viagens de férias e à demanda sazonal, que mantiveram altos níveis de ocupação nos voos. O transporte de carga também permaneceu consistente.
Antes da crise no Oriente Médio, a Cathay Pacific planejava aumentar sua capacidade total em cerca de 10% em 2026 enquanto reconstruía sua rede global após os anos mais difíceis da pandemia.
A suspensão das rotas do Golfo e a disparada no preço do combustível tornam esse objetivo mais desafiador. Ainda assim, a estratégia da empresa tem sido realocar aeronaves e ajustar horários, em vez de reduzir drasticamente sua rede de voos.
Essa abordagem flexível permite que a companhia mantenha o crescimento em mercados mais fortes, ao mesmo tempo em que limita o impacto financeiro dos riscos geopolíticos e da alta do combustível.
Para o verão do hemisfério norte, a Cathay Pacific espera que a demanda permaneça sólida em grande parte de sua rede. Fatores como altas taxas de ocupação e volumes estáveis de carga indicam que o setor continua em recuperação.
Ainda assim, o cenário depende fortemente de fatores externos. Se a instabilidade no Oriente Médio persistir ou os preços do combustível permanecerem elevados, companhias aéreas poderão continuar ajustando rotas, capacidade e horários.
Por enquanto, a estratégia da Cathay reflete um movimento mais amplo da indústria aérea: pausar rotas afetadas por riscos geopolíticos, redirecionar aviões para mercados mais fortes e manter flexibilidade diante das mudanças no tráfego global.