O desempenho também depende da qualidade dos dados de treinamento e daquilo que o sistema foi otimizado para prever. Isso gera preocupações éticas em áreas como crédito, contratação, seguros e saúde. Dados históricos podem reproduzir desigualdades sociais, enquanto sistemas de pontuação pouco transparentes dificultam a contestação de decisões. Questões como viés, desinformação e uso indevido são desafios mais amplos de políticas para IA, e não apenas problemas de chatbots.
Por isso, a governança deve incluir um objetivo claramente definido, testes de precisão e equidade entre grupos relevantes, proteção de dados pessoais, explicações e revisão humana em decisões de alto impacto.
A IA generativa muda a experiência do usuário de “a que categoria isso pertence?” para “crie ou transforme algo a partir desta instrução”. Modelos de grande escala conseguem produzir textos, imagens, áudios e códigos plausíveis. Entre os usos estão a elaboração de respostas para atendimento ao cliente, tradução, tutoria, resumo de materiais jurídicos, assistência em programação e trabalhos criativos.
Sistemas generativos podem reduzir o tempo e o custo de produzir um primeiro rascunho, oferecer uma interface conversacional para informações complexas e ajudar profissionais em vez de apenas automatizar uma decisão fixa.
Um modelo generativo pode produzir uma afirmação, uma fonte, uma norma jurídica, uma alegação médica ou um trecho de código inventado ou incorreto com tom de confiança. O NIST usa o termo confabulação para definir “a produção de conteúdo declarado com confiança, mas errôneo ou falso”, fenômeno frequentemente chamado de alucinação.
Por isso, a verificação é indispensável sempre que a precisão factual for importante. Algumas proteções úteis incluem buscar informações em materiais confiáveis, apresentar citações, realizar avaliações estruturadas, testar o sistema em domínios específicos e contar com revisão humana qualificada.
Uma resposta bem escrita deve ser tratada como rascunho ou previsão — não como prova de que a afirmação subjacente está correta.
A IA generativa também levanta questões sobre proteção de dados, propriedade intelectual, desinformação e origem dos conteúdos produzidos. Orientações da Comissão Europeia para pesquisas destacam esses riscos e ressaltam que as pessoas continuam responsáveis pelo trabalho que publicam, mesmo quando a IA contribuiu para sua elaboração.
Na educação, surge um problema relacionado. Se estudantes terceirizam com frequência a escrita, o raciocínio e a resolução de problemas, podem obter um resultado polido enquanto praticam menos as habilidades necessárias para produzi-lo. Orientações educacionais apontam riscos como conteúdo incorreto ou enviesado, material prejudicial, vazamentos de dados, violação de propriedade intelectual e desafios à integridade acadêmica.
As falhas de segurança podem ser ainda mais graves em conversas sensíveis. Sistemas generativos podem produzir material odioso, violento, sexual ou manipulador, além de responder mal a alguém que manifeste intenção de se machucar. O NIST inclui entre os riscos recomendações perigosas ou violentas, problemas de privacidade e vieses prejudiciais.
Em contextos de alto risco, a IA não deve substituir atendimento qualificado nem mecanismos humanos de proteção. Os sistemas precisam de recusas robustas, encaminhamento adequado, controles de privacidade e uma rota clara para suporte humano imediato.
A IA agentiva acrescenta um ciclo de ação ao modelo. Em vez de responder uma única vez a um comando, um agente pode interpretar um objetivo, dividi-lo em etapas, chamar ferramentas como navegador, ambiente de execução de código, serviço de e-mail ou API, analisar os resultados, revisar o plano e continuar trabalhando.
A Universidade Stanford descreve a IA agentiva como formada por sistemas autônomos ou semiautônomos capazes de interpretar objetivos, organizar ações em sequência, usar ferramentas, reagir a feedback e se adaptar para concluir tarefas dentro de limites definidos.
A diferença prática é significativa:
O Jules, do Google, ilustra o uso em desenvolvimento de software. A empresa o descreve como um agente de programação assíncrono que se integra a repositórios, clona uma base de código em uma máquina virtual na nuvem e trabalha em tarefas para posterior revisão.
Agentes que usam ferramentas de código aberto representam outra abordagem. Já produtos de recrutamento, como o Hiring Assistant, do LinkedIn, mostram como fluxos agentivos podem se estender à busca e à contratação de candidatos.
Os agentes são atraentes porque conseguem concluir trabalhos com várias etapas, em vez de apenas sugerir o próximo passo. Um agente de programação pode investigar um bug, editar vários arquivos, executar testes e preparar uma solicitação de alteração. Um agente de fluxo de trabalho pode reunir informações, organizá-las e preparar comunicações para aprovação.
Planejar não é o mesmo que compreender de forma confiável. Um agente pode interpretar uma página de maneira equivocada, escolher um plano ruim, seguir uma instrução maliciosa ou acumular um pequeno erro ao longo de várias etapas.
O AI Index 2026, de Stanford, informa que os agentes passaram de 12% para cerca de 66% de sucesso no benchmark OSWorld, que avalia tarefas reais em computadores. Ainda assim, eles falharam em aproximadamente uma a cada três tentativas.
Uma alucinação de chatbot pode continuar sendo um problema de comunicação. Já um agente com credenciais, acesso ao navegador ou autoridade para realizar pagamentos pode transformar o mesmo tipo de erro em uma ação externa. Por isso, a governança de sistemas agentivos precisa tratar não apenas da qualidade das respostas, mas também de permissões, reversibilidade e responsabilização.
Os riscos mais importantes aparecem quando um agente consegue afetar sistemas, dinheiro, dados ou outras pessoas:
Os controles precisam ser proporcionais à capacidade do sistema e às consequências de uma eventual falha.
Para a IA preditiva, as organizações devem definir a finalidade, medir precisão e equidade, proteger dados pessoais e oferecer meios de explicar ou contestar decisões de alto impacto.
Para a IA generativa, é necessário verificar afirmações importantes, testar alucinações e conteúdos prejudiciais, controlar dados sensíveis, lidar com questões de origem e propriedade intelectual e manter profissionais qualificados responsáveis por decisões jurídicas, médicas, financeiras e de proteção.
Para agentes, os controles técnicos e organizacionais precisam avançar ainda mais:
A Autoridade de Desenvolvimento de Mídia e Infocomunicações de Singapura, conhecida pela sigla IMDA, apresenta essa abordagem baseada em risco em seu Model AI Governance Framework for Agentic AI. O documento é destinado a organizações que desenvolvem agentes internamente ou implementam soluções de terceiros.
A principal lição do framework é graduar a autonomia: começar com assistência somente para leitura, avançar para ações de baixo risco e reservar ações irreversíveis ou de alto impacto para aprovação explícita.
A evolução da IA é melhor entendida como uma pilha crescente de capacidades, e não como três eras completamente separadas. Os sistemas tradicionais preveem e classificam. Os sistemas generativos criam e transformam. Os sistemas agentivos acrescentam planejamento, uso de ferramentas e ação.
A governança precisa avançar no mesmo ritmo. Controles de precisão e equidade continuam necessários, mas já não são suficientes. Sistemas generativos exigem verificação, rastreabilidade e práticas de segurança de conteúdo. Agentes também precisam de limites de permissão, pontos de aprovação, monitoramento de segurança e responsabilidade claramente definida.
Quanto mais um sistema de IA consegue fazer sozinho, mais cuidadosamente as organizações precisam decidir o que ele está autorizado a fazer.