A peça central da escala tailandesa é a iniciativa “Três Conexões”, um marco de cooperação acertado em princípio pelos dois governos em novembro de 2022 . Os três pilares são:
O vice‑primeiro‑ministro e chanceler tailandês, Sihasak Phuangketkeow, confirmou que Tailândia e Vietnã estão “trabalhando num plano de ação” que deve ser assinado durante a visita, e o descreveu como um “mecanismo‑chave para impulsionar a Parceria Estratégica Abrangente” . O embaixador vietnamita em Bancoque, Phan Chi Thanh, foi na mesma linha: um “programa de ação detalhado, envolvendo ministérios, órgãos e governos locais dos dois lados” é o principal produto a ser entregue
.
A Tailândia é o segundo maior investidor da ASEAN no Vietnã, com 797 projetos ativos e US$ 15,4 bilhões em capital registrado . O comércio bilateral está acelerando fortemente: nos primeiros quatro meses de 2026, a corrente de comércio chegou a quase US$ 8,6 bilhões, alta de 24% sobre o mesmo período de 2025
. Os dois lados já haviam fixado a meta de US$ 25 bilhões no comércio bilateral, e a visita deve reforçar esse objetivo
.
Para o Vietnã, a Tailândia é mais do que um mercado — é um corredor terrestre crucial e um parceiro logístico capaz de ajudar os fabricantes vietnamitas a se conectarem às cadeias regionais. Uma integração mais estreita, como observou o embaixador, “ajudará o Vietnã a expandir ainda mais suas redes globais de comércio, aproveitando as fortes cadeias de suprimentos regionais e internacionais da Tailândia” .
Além da economia, os dois líderes devem discutir a centralidade da ASEAN, o Mar do Sul da China e a cooperação na sub‑região do Mekong . O momento também tem peso simbólico: a visita ocorre durante as comemorações dos 50 anos de relações diplomáticas, e um navio da Marinha tailandesa já foi enviado ao Vietnã em maio como parte das celebrações
. A expectativa é que os líderes avancem com novos intercâmbios culturais e entre as populações.
To Lam chega a Singapura em 29 de maio para uma visita de Estado a convite do presidente Tharman Shanmugaratnam. Mas o ponto alto do dia será seu discurso naquela noite: ele se tornará o primeiro líder vietnamita a proferir a palestra magna de abertura do Diálogo Shangri‑La do IISS, o fórum de defesa e segurança mais influente da Ásia .
Vietnã e Singapura elevaram as relações ao patamar de Parceria Estratégica Abrangente em março de 2025, durante visita anterior de To Lam como secretário‑geral do Partido. O anúncio veio acompanhado de vários memorandos de entendimento sobre transformação digital, combate ao crime transnacional e cooperação no comércio de energia eólica offshore . O primeiro‑ministro de Singapura, Lawrence Wong, destacou na ocasião que a parceria era significativa por ser “a primeira de Singapura com um Estado‑membro da ASEAN”
.
A visita de Estado agora pretende transformar esses memorandos em implementação vinculante. O embaixador singapurense no Vietnã, Rajpal Singh, afirmou que os dois países buscam “cooperar na solução de problemas comuns, para benefício mútuo, e fortalecer a cooperação em campos novos como digital, manufatura avançada e educação e treinamento de alta qualidade” .
Singapura sinalizou claro interesse em parcerias que vão além do investimento tradicional. A elevação de março de 2025 incluiu memorandos sobre pagamentos transfronteiriços por QR code, desenvolvimento digital e inovação . A visita de Estado deve gerar novos anúncios em economia digital, energia verde e colaboração em créditos de carbono
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É uma guinada deliberada no relacionamento Vietnã‑Singapura. Por décadas, o pilar econômico foi dominado pelos Parques Industriais Vietnã‑Singapura (VSIPs). Agora, os dois lados miram explicitamente áreas — semicondutores, fintech, energia eólica offshore e manufatura avançada — que se alinham com a ambição vietnamita de galgar degraus na cadeia de valor.
O discurso de abertura de To Lam em 29 de maio carrega grandes expectativas. O Diálogo Shangri‑La de 2026 ocorre de 29 a 31 de maio, e a quinta sessão plenária é dedicada às “Parcerias Cooperativas da China na Ásia‑Pacífico” . Em 2025, a China cancelou por completo uma plenária sobre sua própria segurança. A escolha de um líder vietnamita para abrir o fórum manda múltiplos sinais.
O Asia Times avaliou a escolha como um marco da “estatura elevada do Vietnã nas conversas regionais sobre segurança”, notando que ela oferece a Hanói a oportunidade de “tranquilizar parceiros de que sua autonomia estratégica continua intacta, mesmo enquanto seus laços institucionais com Pequim se aprofundam” . O discurso será acompanhado de perto pelo modo como To Lam enquadrará a arquitetura de segurança da região — se enfatizará os mecanismos liderados pela ASEAN, o equilíbrio entre grandes potências ou uma visão vietnamita mais assertiva para a ordem regional.
Vistas como uma única campanha diplomática, as visitas seguidas revelam uma estratégia de Hanói que é simultaneamente econômica e estratégica.
O risco, como alguns analistas observam, é que a aparição no Shangri‑La acabe ofuscada pelas agendas de potências maiores. Mas, para o Vietnã, o simples fato de subir ao púlpito como o primeiro chefe de Estado da ASEAN a abrir o diálogo pode ser a entrega que realmente importa.