No modelo tradicional de trade finance, fornecedores frequentemente precisam esperar semanas ou meses para receber pagamentos de faturas. Para antecipar esses valores, empresas recorrem a bancos ou financiadores especializados — um processo que envolve verificação manual de documentos, custos elevados e liquidação internacional complexa.
A parceria entre Pharos e KUN pretende reduzir esses gargalos digitalizando esses ativos de crédito e permitindo que eles circulem em uma infraestrutura blockchain com liquidação mais rápida e potencialmente maior liquidez.
Nesse arranjo, a Pharos fornece uma blockchain Layer‑1 voltada a aplicações financeiras do mundo real, enquanto a KUN oferece infraestrutura de pagamentos licenciada que opera na Ásia, África, América Latina e Oriente Médio, conectando ativos tokenizados a redes reais de pagamento global.
A colaboração prevê um conjunto de componentes para colocar o financiamento de cadeias de suprimentos “on‑chain”.
O núcleo da iniciativa é a tokenização de ativos de crédito comercial, como faturas de exportação ou contas a receber.
Quando representados como tokens na blockchain, esses ativos podem se tornar mais fáceis de negociar, financiar ou usar como garantia, ajudando empresas a acessar capital de giro com mais rapidez enquanto aguardam pagamento.
Para instituições financeiras ou provedores de liquidez, isso também pode simplificar o processo de financiamento, substituindo documentação manual por ativos digitais padronizados.
Outro elemento é a liquidação nativa on‑chain usando ativos digitais, permitindo que pagamentos internacionais entre empresas ocorram diretamente na blockchain em vez de depender de múltiplos intermediários.
A expectativa é reduzir fricções em transações internacionais e acelerar fluxos de pagamento em comércio B2B global.
A parceria também explora cartões virtuais corporativos conectados a ativos tokenizados.
Na prática, isso poderia permitir que empresas utilizem ou gastem liquidez vinculada a ativos digitais — por exemplo, recebíveis tokenizados — de maneira mais flexível em pagamentos empresariais.
Um dos pontos centrais da arquitetura é a integração com infraestrutura de pagamentos licenciada e regulada.
A KUN opera redes de pagamento digitais em vários mercados emergentes, o que pode permitir que ativos tokenizados e liquidações on‑chain se conectem a sistemas financeiros existentes sem sair do ambiente regulatório.
A parceria também se encaixa em uma estratégia mais ampla da Pharos chamada RealFi (Real‑World Finance) — um conceito que busca levar ativos financeiros do mundo real para a blockchain.
Diferentemente de muitas redes focadas apenas em aplicações cripto nativas, a Pharos posiciona sua infraestrutura como base para:
Nesse contexto, a KUN entrou para a terceira coorte estratégica da RealFi Alliance, um ecossistema que reúne emissores de ativos, provedores de infraestrutura e instituições financeiras para desenvolver aplicações econômicas reais na rede.
A meta da iniciativa é transformar projetos experimentais de tokenização em sistemas operacionais escaláveis para finanças do mundo real na blockchain.
A expansão do ecossistema da Pharos vem acompanhada de novos investimentos. Em abril de 2026, a empresa anunciou uma rodada Série A de US$ 44 milhões, elevando o total captado para cerca de US$ 52 milhões, com o objetivo de acelerar o desenvolvimento de infraestrutura para ativos do mundo real na blockchain.
Esse investimento reforça a estratégia da rede de se posicionar como infraestrutura para liquidação financeira institucional e mercados de crédito tokenizados.
Se a iniciativa avançar, ela pode demonstrar como a blockchain pode resolver um problema antigo do comércio internacional: a lentidão e fragmentação do financiamento de cadeias de suprimentos.
Ao transformar faturas e recebíveis em ativos programáveis e conectá‑los a redes globais de pagamento, a parceria entre Pharos e KUN pretende converter documentos estáticos em instrumentos financeiros digitais que podem circular, ser financiados e liquidados diretamente on‑chain.
O sucesso desse modelo, porém, ainda dependerá da adoção por bancos, reguladores e grandes participantes do comércio global — fatores decisivos para que soluções baseadas em blockchain saiam da fase experimental e se tornem parte da infraestrutura financeira real.