Um administrador local usa o método Dump do objeto COM SentinelHelper.1 para despejar a memória de qualquer processo protegido por PPL (Protected Process Light). A interface SentinelHelper.1 é uma ferramenta administrativa legítima, mas foi exposta sem controle de acesso adequado. Isso permite que um atacante com direitos de admin local anule completamente as proteções do PPL, lendo o conteúdo da memória de processos como o Windows Defender .
Após despejar a memória do processo protegido por PPL, o atacante injeta código não assinado nesse processo elevado. Crucialmente, essa injeção de código se origina de um componente assinado pelo SentinelOne — o sistema operacional confia em códigos assinados pelo SentinelOne. O código não assinado injetado, encapsulado em um veículo confiável, burla as verificações de integridade de código do Windows .
Por fim, o atacante usa os mesmos processos e interfaces confiáveis do SentinelOne para impedir que o EDR detecte ou remova o malware injetado. Como o malware roda dentro ou junto dos processos confiáveis do próprio SentinelOne, os mecanismos de proteção contra adulteração (anti-tamper) e autoproteção do EDR acabam blindando o malware contra si mesmo .
O atacante também pode instalar um agente SentinelOne malicioso sem uma licença válida e bloquear a telemetria de gerenciamento por meio de manipulação local de DNS, isolando o sistema comprometido do console de gerenciamento central .
A raiz do problema é que a SentinelOne expôs interfaces poderosas do Component Object Model (COM) — especificamente o SentinelHelper.1 — a administradores locais sem controle de acesso adequado. Além disso, seus binários de instalação assinados podiam ser reaproveitados para executar ações privilegiadas que binários não assinados comuns não conseguem .
Até a data da divulgação, nenhum identificador público de CVE foi amplamente reportado para esse problema específico .
É importante notar que o ataque requer privilégios de administrador local na máquina alvo. Não é uma vulnerabilidade de execução remota de código. No entanto, uma vez que um atacante obtém acesso de admin local por meio de um comprometimento inicial separado (como explorar um aplicativo vulnerável ou usar credenciais roubadas), o BYOEDR permite que ele burle as proteções do PPL que foram criadas para conter tais comprometimentos .
A SentinelOne corrigiu o problema relatado na versão 26.1.1 do Agente. A correção envolveu o endurecimento (hardening) das interfaces COM expostas e a restrição de como os binários de instalação e componentes confiáveis podem ser usados . As organizações devem garantir que todos os agentes SentinelOne sejam atualizados para a versão 26.1.1 ou superior imediatamente
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A técnica BYOEDR destaca um problema fundamental de confiança: o software de segurança recebe altos privilégios e acesso profundo ao sistema por design. Quando essas capacidades são expostas por meio de interfaces acessíveis ou binários assinados, os atacantes podem reaproveitá-las como ferramentas ofensivas .
Para se defender contra ataques BYOEDR, as organizações devem tomar as seguintes ações:
SentinelHelper.1 ou chamadas inesperadas ao método Dump) por processos que não são do SentinelOne O BYOEDR não é um incidente isolado. Uma técnica semelhante chamada "Bring Your Own Installer" (BYOI), descoberta pela Stroz Friedberg (da Aon) em 2025, explora o processo de atualização/rebaixamento do SentinelOne para desabilitar as proteções anti-adulteração, deixando os endpoints desprotegidos para execução de malware . O BYOI foi observado em ataques reais que implantavam o ransomware Babuk
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A combinação de BYOEDR e BYOI demonstra que os atacantes estão cada vez mais mirando a confiança depositada no próprio software de segurança, e não apenas as vulnerabilidades nos aplicativos que ele protege.