O ponto crucial: os chips mais avançados da empresa são fabricados principalmente pela TSMC (Taiwan Semiconductor Manufacturing Company), líder global em foundry.
Alguns exemplos mostram o nível dessa parceria:
Isso significa que todo o ecossistema técnico da MediaTek — desde ferramentas de design até cronogramas de desenvolvimento — está profundamente alinhado com a TSMC. Conseguir parte desse volume de produção seria um avanço estratégico significativo para a Samsung.
A visita também faz parte de um movimento mais amplo da liderança da Samsung para reforçar seu negócio de foundry.
Nos últimos meses, Lee Jae‑yong também se reuniu com executivos de empresas como AMD, discutindo cooperação em chips de inteligência artificial que envolve tanto fabricação de chips quanto memória.
Esse detalhe é central para a estratégia da empresa.
Diferentemente da TSMC, que é especializada apenas em fabricação, a Samsung é a maior fabricante de chips de memória do mundo. Isso permite oferecer aos clientes um modelo mais integrado.
Na era da inteligência artificial, isso se tornou ainda mais relevante. Processadores avançados usados em IA dependem cada vez mais de memória de alta largura de banda (HBM) e outros tipos de memória para lidar com enormes volumes de dados.
Por isso, a Samsung tem promovido o que analistas chamam de abordagem “turnkey” (solução completa) — combinando:
A ofensiva para conquistar clientes como a MediaTek ocorre num momento em que a Samsung tenta mostrar progresso em sua divisão de fabricação terceirizada.
Um exemplo marcante é o acordo de US$ 16,5 bilhões com a Tesla para produzir os chips de inteligência artificial AI6 da montadora. A produção deve ocorrer na nova fábrica avançada da empresa no Texas e o contrato vai até 2033.
Esse acordo é um dos maiores contratos já conquistados pela Samsung no segmento de foundry e garante um cliente de grande escala para sua capacidade de produção avançada.
Conseguir novos clientes do porte da MediaTek ajudaria a empresa a:
Mesmo com essa ofensiva, a Samsung enfrenta desafios importantes.
Um deles é o rendimento de produção (yield) — a porcentagem de chips funcionais obtidos em cada wafer fabricado. Rendimentos mais baixos tornam a produção mais cara e arriscada para os clientes.
Relatos indicam que a Samsung teve dificuldades de rendimento em nós avançados como o de 3 nm, o que levou várias empresas de chips a preferirem a TSMC para produção de ponta.
Além disso, a TSMC possui uma vantagem estrutural difícil de igualar: relacionamentos de longo prazo e um ecossistema de design altamente consolidado.
Empresas como Apple, Nvidia, Qualcomm e a própria MediaTek já utilizam amplamente as ferramentas, bibliotecas de design e processos de fabricação da TSMC para seus chips mais avançados.
Como os ciclos de desenvolvimento de semicondutores podem durar anos, mudar de fabricante envolve riscos técnicos e financeiros consideráveis.
Mesmo que a Samsung não conquiste imediatamente grandes pedidos da MediaTek, o gesto de Lee Jae‑yong revela algo importante: a empresa está intensificando sua ofensiva contra a liderança da TSMC.
Em vez de depender apenas de equipes comerciais ou negociações técnicas, o próprio presidente da Samsung está se envolvendo diretamente na conquista de clientes estratégicos da cadeia global de chips.
Isso reflete a magnitude da disputa no setor de semicondutores — especialmente agora que a explosão da inteligência artificial está redefinindo a demanda por chips avançados.
Em resumo, a estratégia da Samsung parece seguir três frentes principais:
Se isso será suficiente para reduzir a enorme vantagem da TSMC ainda é incerto. Mas uma coisa está clara: a competição pelo domínio da indústria de chips na era da IA está se intensificando rapidamente.
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