A Microsoft fechou um acordo para comprar até 650 mil toneladas de créditos de remoção de carbono da empresa dinamarquesa BioCirc ao longo de sete anos, sinalizando que não abandonou essa estratégia climática. Os créditos vêm de usinas de biogás na Dinamarca que capturam e armazenam CO₂ usando tecnologia BECCS — bio...

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A Microsoft voltou a investir em remoção de carbono com um novo acordo que chama atenção no setor de tecnologia e clima. Em maio de 2026, a empresa anunciou a compra de até 650.000 toneladas métricas de créditos de remoção de carbono da companhia dinamarquesa BioCirc.
O movimento é relevante por dois motivos: ele contradiz relatos recentes de que a Microsoft teria pausado novos contratos de remoção de carbono e surge justamente quando o crescimento acelerado da infraestrutura de inteligência artificial (IA) está aumentando o consumo de energia e as emissões da empresa.
O contrato prevê que a Microsoft adquira créditos de remoção de carbono gerados por projetos da BioCirc na Dinamarca ao longo de sete anos . Embora o volume seja menor que alguns contratos anteriores da empresa, o timing é significativo.
Semanas antes, reportagens indicavam que a companhia havia colocado em pausa novas compras de créditos de remoção de carbono. Ao fechar esse novo acordo logo depois, a Microsoft sinalizou que o programa não acabou — provavelmente está passando por ajustes ou maior seletividade nos projetos financiados .
Isso também importa para o mercado de remoção de carbono. A Microsoft é um dos maiores compradores do mundo nesse setor, e seus contratos de longo prazo ajudam startups e desenvolvedores a levantar financiamento e construir infraestrutura.
Os créditos do acordo vêm de uma tecnologia chamada BECCS (bioenergia com captura e armazenamento de carbono).
O processo funciona de forma relativamente simples:
Como esse carbono foi originalmente absorvido da atmosfera por plantas recentemente, capturá‑lo e armazená‑lo permanentemente equivale a retirar CO₂ do ciclo atmosférico. Essa remoção pode ser medida e vendida como crédito de carbono.
No acordo com a Microsoft, os créditos virão de unidades de captura instaladas em cinco das oito usinas de biogás da BioCirc na Dinamarca .
Apesar de iniciativas como essa, o maior obstáculo climático da Microsoft hoje está ligado à sua própria expansão tecnológica.
Com o crescimento da computação em nuvem e da inteligência artificial generativa, a empresa está construindo novos data centers em ritmo acelerado. Esses centros de dados consomem enormes quantidades de eletricidade e precisam operar continuamente.
Como resultado, as emissões da Microsoft aumentaram mais de 23% desde 2020 — principalmente devido à construção de data centers e às cadeias de suprimento associadas à infraestrutura de IA e nuvem .
A tendência não é exclusiva da Microsoft. Estudos indicam que a demanda global de eletricidade dos data centers pode mais que dobrar até o fim da década, impulsionada pela expansão da IA .
Outro ponto que preocupa analistas é a origem da energia que alimentará essa nova infraestrutura.
Para garantir fornecimento elétrico rápido e confiável, empresas de tecnologia às vezes recorrem a usinas a gás natural ou outros combustíveis fósseis. Relatórios indicam que a Microsoft firmou acordos envolvendo grande capacidade de geração baseada em gás para sustentar a expansão de data centers de IA .
Se parte relevante dessa nova capacidade depender de combustíveis fósseis, as emissões poderão crescer mais rápido do que os projetos de remoção de carbono conseguem compensar.
Em 2020, a Microsoft anunciou uma meta ambiciosa: tornar‑se carbono‑negativa até 2030, removendo da atmosfera mais carbono do que emite a cada ano .
Para alcançar esse objetivo, a empresa depende de três frentes principais:
O acordo com a BioCirc ajuda no terceiro ponto, adicionando nova capacidade de remoção verificada. Porém, 650 mil toneladas ainda representam um volume relativamente pequeno diante da pegada total de emissões da empresa.
Quanto mais rápido a infraestrutura de IA cresce, maior será a quantidade de energia — e potencialmente emissões — que a Microsoft precisará compensar.
O contrato com a BioCirc mostra que a estratégia de remoção de carbono da Microsoft continua ativa, mesmo após rumores de pausa nas compras.
Ao mesmo tempo, ele evidencia o tamanho do desafio climático enfrentado pelas gigantes da tecnologia. A corrida pela liderança em inteligência artificial está elevando drasticamente o consumo de energia do setor.
O sucesso da meta de ser carbono‑negativa até 2030 dependerá de um equilíbrio difícil: expandir rapidamente energia limpa e projetos confiáveis de remoção de carbono ao mesmo tempo em que a infraestrutura global de IA cresce em ritmo acelerado.
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A Microsoft fechou um acordo para comprar até 650 mil toneladas de créditos de remoção de carbono da empresa dinamarquesa BioCirc ao longo de sete anos, sinalizando que não abandonou essa estratégia climática.
A Microsoft fechou um acordo para comprar até 650 mil toneladas de créditos de remoção de carbono da empresa dinamarquesa BioCirc ao longo de sete anos, sinalizando que não abandonou essa estratégia climática. Os créditos vêm de usinas de biogás na Dinamarca que capturam e armazenam CO₂ usando tecnologia BECCS — bioenergia com captura e armazenamento de carbono.
Ao mesmo tempo, a rápida expansão de data centers para inteligência artificial elevou as emissões da Microsoft em mais de 23% desde 2020, aumentando o desafio de cumprir a meta de ser carbono‑negativa até 2030.