Assim que o sistema confirma uma provável situação de roubo, a tela é bloqueada imediatamente e algumas operações sensíveis podem sofrer restrições extras — congelando o aparelho antes que o ladrão acesse aplicativos de banco, e‑mails ou dados pessoais .
O Google já lançou uma ferramenta semelhante. O Theft Detection Lock, disponível para aparelhos com Android 10 ou superior, também usa inteligência artificial e sensores de movimento para detectar quando alguém agarra o celular e sai correndo .
A essência das duas tecnologias é a mesma: monitorar o acelerômetro em busca de um puxão brusco e travar o aparelho na hora. Ambas miram o curto espaço de tempo em que o celular está desbloqueado e em uso — o momento exato que os criminosos buscam .
Porém, pelos vazamentos, a implementação da Apple se diferencia em alguns pontos importantes:
Para entender a urgência desses recursos, é preciso olhar o mercado ilegal. Uma investigação da revista Wired, repercutida em várias análises, mostra a lógica financeira: um iPhone roubado e bloqueado serve só como sucata de peças, rendendo ao bandido o equivalente a R$ 300 a R$ 1.200. Já um iPhone desbloqueado pode ser revendido por R$ 3.000 a R$ 6.000 facilmente .
Essa diferença de até R$ 4.800 é o combustível para os roubos-relâmpago. Os criminosos precisam do celular desbloqueado para acessar rapidamente aplicativos de banco, credenciais do Apple Pay e informações pessoais antes que a vítima consiga bloquear o aparelho pelo Buscar iPhone (Find My) . Pesquisadores da empresa Infoblox descobriram que existe um ecossistema clandestino no Telegram voltado para transformar iPhones “tijolados” (bloqueados) em aparelhos vendáveis, com técnicas de engenharia social e ferramentas de desbloqueio
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Até celulares bloqueados têm seu valor: relatos indicam que chegam a valer cerca de 30% do preço de um iPhone desbloqueado quando desmontados em mercados especializados em componentes, como o distrito eletrônico de Huaqiangbei, em Shenzhen, na China . Mas o grande lucro mesmo depende do aparelho estar ativo e desprotegido.
Esse novo recurso não surge do nada. A Apple escala uma guerra contra o roubo de iPhones há mais de uma década. Em 2013, o Bloqueio de Ativação do iOS 7 tornou inútil um iPhone roubado sem as credenciais do iCloud do dono, derrubando o valor de revenda . Depois veio a Proteção de Dispositivo Roubado, que exige autenticação biométrica para ações delicadas, como mudar a senha do ID Apple quando o aparelho está longe de lugares conhecidos
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A trava automática antecipa a linha de defesa ainda mais: em vez de proteger “depois que o roubo é percebido”, ela age no “instante em que o roubo acontece”. Se funcionar como os rumores indicam, o bandido teria apenas milissegundos até a tela travar, deixando o aparelho praticamente tão inútil quanto se tivesse sido roubado já bloqueado.
A Apple não confirmou esse recurso, e tudo que sabemos até agora veio de trechos de código encontrados em versões internas do sistema . Não há data de lançamento, e o projeto pode mudar ou até ser cancelado antes de ser lançado oficialmente. Seguindo o calendário habitual da Apple, o recurso poderia fazer parte de uma atualização futura do iOS, talvez junto com um novo iPhone, mas não há garantia nenhuma até que a empresa bata o martelo.