A evidência mais convincente não vem da própria Nvidia, mas de fornecedores em diferentes camadas da cadeia de infraestrutura: equipamentos para semicondutores, energia e refrigeração para data centers, e armazenamento.
Inficon, que fabrica instrumentos a vácuo para a produção de semicondutores, registrou vendas recordes de US$ 198 milhões no segundo trimestre de 2026 — alta de 18% ano a ano — e elevou sua projeção de vendas para o ano completo para US$ 750–780 milhões, ante a faixa anterior de US$ 710–750 milhões . A empresa citou uma captação de pedidos "excepcionalmente forte" liderada por semicondutores, sendo este o segundo aumento de projeção no ano .
Schneider Electric, o gigante industrial francês que fornece infraestrutura de energia e refrigeração para data centers, elevou sua previsão de crescimento orgânico de receita para 2026 para até 13%, ante os 10% anteriores, e aumentou sua meta de crescimento de EBITA para 14–19%, contra 10–15% . A empresa atribuiu a atualização diretamente a um "surto de gastos impulsionado pela IA" e a uma demanda "sem precedentes" por data centers . A Schneider já havia fechado US$ 2,3 bilhões em contratos nos EUA no final de 2025 e superou as previsões de receita no primeiro trimestre de 2026 .
Seagate, a empresa de armazenamento de dados, superou as estimativas e projetou acima do consenso em seu balanço do quarto trimestre fiscal de 2026. O detalhe crucial: a administração confirmou que a capacidade de armazenamento nearline está virtualmente esgotada até o final de 2027 — um nível de visibilidade raro para uma empresa de hardware . Sua projeção para o primeiro trimestre fiscal de 2027 indica receita de US$ 4,1 bilhões, uma aceleração sequencial massiva .
Amplitude da cadeia de suprimentos. Não é apenas a Nvidia reportando demanda forte isoladamente. Três fornecedores em camadas distintas — ferramentas para chips, infraestrutura de energia e armazenamento — elevaram suas projeções de forma independente em questão de dias. Isso aponta para pedidos reais vindos dos clientes finais, não para exageros corporativos.
Visibilidade futura. A capacidade da Seagate estar totalmente alocada até 2027, combinada com a Schneider elevando sua projeção anual no meio do ano, fornece indicadores antecedentes concretos de que a construção pelos grandes provedores de nuvem (hyperscalers) tem um horizonte de vários anos.
Proximidade temporal. Todos os três aumentos de projeção ocorreram entre 29 e 30 de julho de 2026, dados muito recentes que não mostram sinais de desaceleração .
O CEO da Nvidia, Jensen Huang, tem sido o defensor mais vocal da continuidade dos gastos com IA. Ele descreveu repetidamente a atual expansão como "a maior construção de infraestrutura da história da humanidade" . Em maio de 2026, ele estimou que os gastos de capital (capex) com IA poderiam chegar a US$ 3–4 trilhões . No GTC 2026, ele afirmou que a Nvidia tem visibilidade de pelo menos US$ 1 trilhão em demanda para o próximo ano . Em uma entrevista à CNBC em fevereiro de 2026, Huang disse que a expansão da IA tem "sete a oito anos pela frente" e classificou os gastos como "apropriados" e "sustentáveis" . Ele descartou os temores de bolha como algo que ignora a escala da oportunidade, argumentando que a IA representa uma "nova revolução industrial" .
A argumentação de Huang tem prazos e valores definidos. Ele citou de US$ 660 a US$ 700 bilhões em capex combinado das grandes empresas de tecnologia em 2026, descrevendo isso como apenas o começo .
Não são apenas essas três empresas. A Infineon Technologies, outra fornecedora de chips, também elevou sua projeção anual em maio de 2026, com o CEO Jochen Hanebeck citando a IA como um motor-chave. A Infineon agora espera que a receita do ano fiscal de 2026 cresça significativamente acima dos € 14,66 bilhões reportados em 2025, com margens melhorando para cerca de 20%, ante 17,5% .
O argumento do "pico da IA" defende que o retorno sobre o investimento (ROI) dos hyperscalers pode não se materializar como esperado e que o crescimento do capex começará a desacelerar em 2 a 3 anos. A evidência apresentada aqui aborda a visibilidade de curto a médio prazo (2026–2027) com mais força do que o horizonte de 2029+. A previsão de Huang de 7 a 8 anos depende da premissa de que a IA se tornará uma revolução industrial de uso geral — uma tese plausível, mas ainda não comprovada.
A evidência atual — três fornecedores independentes elevando projeções, resultados trimestrais recordes e as projeções quantificadas de Huang — sustenta a continuidade dos gastos robustos em infraestrutura pelo menos até 2027. A amplitude do sinal vindo da cadeia de suprimentos, com empresas de ferramentas para chips, energia e armazenamento todas elevando suas perspectivas na mesma semana, torna isso mais do que apenas a diretoria da Nvidia fazendo seu próprio marketing. Para investidores e observadores do setor, os dados sugerem que a construção da infraestrutura de IA ainda está em suas fases inicial ou intermediária.