O principal motor dessa criação de riqueza é a valorização privada da ByteDance, estimada em impressionantes US$ 550 bilhões em fevereiro de 2026 . Por ser uma empresa de capital fechado, o gigante do TikTok depende do apetite do mercado secundário, e não das oscilações do mercado de ações. E esse apetite tem sido voraz, alimentado pelas perspectivas de IA da empresa e por uma receita de US$ 155 bilhões em 2024 . A fortuna de Zhang, que multiplicou mais de sete vezes desde os US$ 13 bilhões registrados quando a Bloomberg começou a monitorá-la em março de 2019, move-se quase que exclusivamente em sintonia com o preço interno das ações da empresa .
No centro dessa narrativa de IA está o Doubao. O chatbot se tornou o principal assistente de IA da China, acumulando 345 milhões de usuários ativos mensais no final de maio de 2026 . Esse crescimento rápido, restrito ao mercado doméstico, mostrou a capacidade incomparável da ByteDance de escalar aplicativos de consumo e deu aos investidores um motivo tangível para precificar a empresa pelo crescimento, e não apenas pelo fluxo de caixa existente do TikTok e do Douyin.
Essa história vai além da confiança do mercado: é uma verdadeira guerra de infraestrutura. Por trás do hype do Doubao, está um dos planos de investimento mais agressivos da história corporativa. Relatórios indicam que a ByteDance definiu uma meta de gastos para 2026 de pelo menos 200 bilhões de yuans (aproximadamente US$ 30 bilhões) em infraestrutura de IA, um aumento de 25% em relação aos rascunhos anteriores . Fontes disseram à Bloomberg que a empresa estava discutindo gastos potenciais de até US$ 70 bilhões em 2026 para construir data centers e garantir chips . Para se ter uma ideia, esse valor é quase o triplo dos gastos de 2025 e é financiado quase inteiramente por lucros estimados em US$ 50 bilhões em 2025 .
“A empresa custeará grande parte desse gasto com os cerca de US$ 50 bilhões de lucro obtidos em 2025”, disseram pessoas familiarizadas com o assunto, citadas pelo The Straits Times . Ao sinalizar sua capacidade de desafiar concorrentes americanos como OpenAI e Google em capacidade computacional, Zhang Yiming reposicionou a ByteDance não apenas como uma plataforma de mídia social, mas como um campeão nacional na corrida chinesa de IA.
No outro lado da balança, a trajetória de riqueza de Mukesh Ambani foi mais contida. Apesar de a Reliance ter divulgado resultados recordes no ano fiscal de 2026, com um lucro líquido consolidado de ₹95.754 crore , o mercado puniu a ação. A fortuna de Ambani sofreu uma queda de 10,32% no preço das ações de sua principal empresa no acumulado do ano até fevereiro de 2026, resultando em uma perda de aproximadamente US$ 10 bilhões . Controvérsias, incluindo uma disputa por petróleo russo no início do ano, contribuíram para a erosão do valor de mercado . Embora o Morgan Stanley tenha projetado uma reavaliação positiva para a Reliance ainda em 2026 , o efeito imediato foi claro: sua posição de US$ 86,9 bilhões não era mais suficiente para manter o segundo lugar.
Consequentemente, o topo da lista de bilionários asiáticos agora apresenta uma clara reordenação. O magnata indiano da infraestrutura, Gautam Adani, manteve a primeira posição, com uma fortuna de US$ 117,4 bilhões . Zhang Yiming, em segundo, e Ambani, em terceiro, representam o novo equilíbrio entre a riqueza de tecnologia de rápida expansão e os conglomerados industriais tradicionais. Este é um momento crucial em que a nova onda de bilionários da IA na China começa a superar a velha guarda estabelecida.