Guerra de drones no Sudão se intensifica — e civis pagam o preço
Um ataque com drone matou ao menos 28 pessoas em um mercado lotado em Ghubaysh, no estado sudanês de Cordofão Ocidental, em 2026. Testemunhas dizem que o drone atingiu um restaurante cheio dentro do mercado, o que explica o alto número de vítimas civis.
Um ataque com drone matou ao menos 28 pessoas em um mercado lotado em Ghubaysh, no estado sudanês de Cordofão Ocidental, em 2026.
Testemunhas dizem que o drone atingiu um restaurante cheio dentro do mercado, o que explica o alto número de vítimas civis.
A ONU afirma que drones já são responsáveis por mais de 80% das mortes de civis na guerra do Sudão em 2026.
How did the drone strike on Ghabesh market in Sudan’s West Kordofan kill at least 28 people, how does it fit into the wider pattern of escalDrone warfare has rapidly expanded in Sudan’s conflict, with markets and civilian areas increasingly affected.
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Um ataque com drone contra um mercado lotado na cidade sudanesa de Ghubaysh (também grafada como Ghabesh), no estado de Cordofão Ocidental, matou pelo menos 28 pessoas e deixou mais de 20 feridas. O episódio se tornou um dos ataques mais mortais contra civis nos últimos meses da guerra que devasta o Sudão — e revela uma mudança importante no conflito: o uso cada vez maior de drones armados.
O que aconteceu no mercado de Ghubaysh
O ataque ocorreu enquanto o mercado local estava cheio de moradores que haviam saído para comprar alimentos ou comer em barracas e restaurantes. Fontes médicas e testemunhas relataram que 28 pessoas morreram e 23 ficaram feridas, sendo levadas ao hospital da cidade.
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Um ataque com drone matou ao menos 28 pessoas em um mercado lotado em Ghubaysh, no estado sudanês de Cordofão Ocidental, em 2026.
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Um ataque com drone matou ao menos 28 pessoas em um mercado lotado em Ghubaysh, no estado sudanês de Cordofão Ocidental, em 2026. Testemunhas dizem que o drone atingiu um restaurante cheio dentro do mercado, o que explica o alto número de vítimas civis.
O que devo fazer a seguir na prática?
A ONU afirma que drones já são responsáveis por mais de 80% das mortes de civis na guerra do Sudão em 2026.
Segundo relatos de testemunhas, o drone atingiu a área principal do mercado. Duas delas afirmaram que a explosão ocorreu em um restaurante lotado dentro do mercado, o que ajudaria a explicar o elevado número de vítimas.
O grupo sudanês de monitoramento de violações Emergency Lawyers também relatou pelo menos 28 mortos e dezenas de feridos. A organização acusou as Forças Armadas Sudanesas (SAF) de realizar o ataque. O exército, porém, costuma negar que tenha como alvo civis, e a responsabilidade pelo ataque ainda é considerada disputada enquanto não houver verificação independente.
Parte de um padrão crescente de ataques com drones
O bombardeio em Ghubaysh não foi um caso isolado. Nos últimos meses, ataques com drones têm se tornado cada vez mais frequentes nas regiões de Cordofão e Darfur, que se transformaram em frentes-chave do conflito.
Relatos recentes mostram episódios semelhantes:
Em março de 2026, ao menos 28 civis morreram em dois ataques com drones, incluindo 22 pessoas em um mercado em Darfur do Norte.
Outros bombardeios também atingiram mercados e áreas civis em localidades de Cordofão, provocando grandes números de vítimas.
Esse padrão sugere que mercados, estradas e outros pontos onde civis se concentram estão sendo atingidos repetidamente à medida que os combates se intensificam. O uso de drones permite ataques a longas distâncias, inclusive em áreas controladas pelo lado rival.
ONU: drones já são a principal causa de mortes de civis
A Organização das Nações Unidas alertou que o conflito entrou em uma fase ainda mais perigosa por causa da rápida expansão da guerra com drones.
De acordo com o escritório de direitos humanos da ONU, drones armados foram responsáveis por mais de 80% das mortes de civis registradas no Sudão nos primeiros quatro meses de 2026, causando pelo menos 880 mortes nesse período.
O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, classificou a tendência como extremamente preocupante, afirmando que os drones se tornaram “de longe a principal causa de mortes de civis” no conflito.
Autoridades da ONU também alertam que a dependência crescente desse tipo de arma pode ampliar ainda mais a guerra e aumentar o risco para civis — especialmente em locais densamente povoados, como mercados.
Por que mercados estão tão vulneráveis
Em muitas áreas afetadas pela guerra no Sudão, os mercados funcionam como centros vitais da vida cotidiana. Eles costumam ficar próximos a rotas de transporte e pontos de passagem importantes.
Quando veículos militares, combatentes ou postos de controle informais aparecem nas proximidades, esses locais podem se tornar alvos de ataques aéreos.
Em alguns relatos, drones parecem ter mirado veículos ou combatentes próximos aos mercados, mas a explosão acaba atingindo áreas cheias de civis — o que rapidamente gera um grande número de mortos e feridos.
Além disso, drones permitem ataques profundos em territórios controlados pelo adversário, inclusive em cidades distantes das linhas diretas de combate terrestre.
Uma guerra que entra no quarto ano
O pano de fundo é a guerra entre as Forças Armadas Sudanesas (SAF) e a força paramilitar Rapid Support Forces (RSF). O conflito começou em abril de 2023, após uma disputa de poder entre os dois grupos.
Agora, entrando em seu quarto ano, a guerra continua sem sinais claros de resolução. Analistas apontam que iniciativas diplomáticas repetidas não conseguiram mudar a dinâmica no campo de batalha.
Enquanto isso, o uso crescente de drones mostra como o conflito está evoluindo: além das batalhas convencionais, as duas forças recorrem cada vez mais a ataques remotos capazes de atingir cidades, mercados e infraestrutura longe das frentes de combate.
O que o ataque revela sobre o conflito
O bombardeio no mercado de Ghubaysh evidencia algumas tendências preocupantes da guerra no Sudão:
A rápida expansão da guerra com drones, que permite ataques a grandes distâncias.
Maior exposição de espaços civis, como mercados e estradas, especialmente em regiões disputadas como Cordofão e Darfur.
Fracasso dos esforços de paz, enquanto a crise humanitária continua a se aprofundar.
Para os civis dessas regiões, isso significa que o perigo não está mais apenas nas linhas de frente. Cada vez mais, lugares cotidianos — mercados, estradas e bairros — podem se transformar em alvos em um dos conflitos mais graves do mundo hoje.
unn.uaIn Sudan, 28 people killed after drone strike on market