O forte aumento na demanda por chips de memória usados em infraestrutura de inteligência artificial (IA) está provocando efeitos em cadeia na indústria global de smartphones. No primeiro trimestre de 2026, o impacto ficou claro no Sudeste Asiático: fabricantes elevaram preços para compensar custos mais altos de DRAM e NAND — o que acabou reduzindo as vendas de aparelhos.
O resultado foi uma mudança curiosa no mercado: menos smartphones vendidos, porém mais caros — e com maior valor total de mercado.
Dados da consultoria Omdia mostram que o mercado de smartphones no Sudeste Asiático encolheu 9% em relação ao ano anterior no 1º trimestre de 2026, com 21,6 milhões de unidades enviadas para o canal de vendas.
Ao mesmo tempo, os preços dispararam. O preço médio de venda (ASP) na região chegou a US$ 349, um aumento de 19% em relação ao ano anterior e o nível mais alto já registrado.
Essa alta reflete principalmente o aumento no custo dos componentes de memória — essenciais em qualquer smartphone moderno.
Com isso, surgiu uma divergência incomum entre volume e valor:
Na prática, muitos fabricantes preferiram proteger margens de lucro em vez de tentar manter volumes altos de vendas.
O Sudeste Asiático é um dos mercados de smartphones mais sensíveis a preço no mundo. Historicamente, grande parte das vendas fica abaixo da faixa de US$ 200.
Quando os fabricantes repassaram o aumento de custos aos consumidores, os modelos de entrada foram os mais afetados. Em alguns países, as remessas de smartphones abaixo de US$ 200 caíram mais de 30%, pressionando mercados como Vietnã e Malásia.
Isso revela uma mudança estratégica no setor. Em vez de competir agressivamente em aparelhos baratos — que têm margens menores — várias marcas passaram a priorizar:
O padrão observado no Sudeste Asiático também apareceu na China continental.
Segundo a Omdia, as remessas de smartphones na China caíram 1% em relação ao ano anterior no 1º trimestre de 2026, totalizando 69,8 milhões de unidades.
Assim como na região do Sudeste Asiático, o principal fator foi o aumento do custo de componentes — especialmente memória — que levou fabricantes a elevar preços.
O resultado foi semelhante: preços mais altos reduziram a demanda dos consumidores e prolongaram a desaceleração do mercado.
A raiz do problema está na cadeia global de semicondutores.
Nos últimos anos, a corrida para construir infraestrutura de inteligência artificial — incluindo servidores e data centers — gerou uma explosão na demanda por memória de alto desempenho, como DRAM e NAND.
Pesquisas do setor indicam que a demanda por memória está crescendo mais rápido que a capacidade de produção, criando um desequilíbrio entre oferta e procura.
Isso pressionou os preços de forma dramática. Apenas no 1º trimestre de 2026, os preços de DRAM e NAND móveis subiram cerca de 90% em relação ao trimestre anterior, aumentando significativamente o custo de fabricação dos smartphones.
Como a memória é um dos componentes essenciais desses dispositivos, o impacto rapidamente chegou ao preço final para o consumidor.
Mesmo com essas pressões, o mercado global de smartphones ainda registrou leve crescimento no início do ano.
A Omdia estima que 298,5 milhões de smartphones foram enviados globalmente no 1º trimestre de 2026, um aumento de cerca de 1% em relação ao ano anterior.
Mas analistas alertam que esse resultado pode ser enganoso.
Grande parte desse crescimento ocorreu porque fabricantes anteciparam envios de aparelhos ao canal de vendas, tentando se adiantar aos aumentos de custos de componentes.
Esse movimento — conhecido como front‑loading de estoque — pode significar que a demanda real dos consumidores está mais fraca do que os números iniciais sugerem.
Para o restante do ano, a expectativa é de que a pressão sobre fabricantes continue.
A Omdia projeta que as remessas globais de smartphones podem cair cerca de 7% em 2026 se os preços de memória permanecerem elevados.
Diante desse cenário, as empresas devem:
Se a oferta de memória melhorar no segundo semestre, os preços podem começar a se estabilizar. Mas enquanto a infraestrutura de IA continuar consumindo grandes volumes de DRAM e NAND, smartphones e outros eletrônicos seguirão competindo pelos mesmos chips.
O primeiro trimestre de 2026 pode marcar uma mudança estrutural na indústria.
No Sudeste Asiático — e possivelmente em outros mercados — fabricantes estão aceitando vender menos aparelhos, desde que cada dispositivo gere mais receita e margem.
O aumento dos custos de memória foi o gatilho. Mas as consequências podem durar mais tempo: preços médios mais altos, menos aparelhos de entrada e um mercado que cresce em valor mesmo quando as vendas caem.
Studio Global AI
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No 1º trimestre de 2026, as remessas de smartphones no Sudeste Asiático caíram 9% para 21,6 milhões de unidades, enquanto o preço médio subiu 19% para um recorde de US$ 349.
No 1º trimestre de 2026, as remessas de smartphones no Sudeste Asiático caíram 9% para 21,6 milhões de unidades, enquanto o preço médio subiu 19% para um recorde de US$ 349. Mesmo com menos aparelhos vendidos, o valor total do mercado cresceu cerca de 8% porque fabricantes aumentaram preços para compensar o custo maior de memória.
Analistas alertam que o mesmo efeito — custos mais altos e demanda mais fraca — pode levar a uma queda global de cerca de 7% nas remessas de smartphones em 2026.