Segundo a CBS News, autoridades americanas disseram que o Paquistão permitiu o uso de seus aeródromos por aeronaves militares iranianas mesmo enquanto tentava atuar como mediador entre Estados Unidos e Irã . A NDTV, citando a mesma apuração, informou que o material militar descrito incluía um RC-130 da Força Aérea iraniana, uma versão de reconhecimento e coleta de inteligência do C-130 Hercules .
A acusação, porém, continua contestada. A CBS atribuiu as informações a autoridades dos EUA com conhecimento do assunto, não a uma admissão pública de Islamabad ou Teerã . A NDTV informou que um alto funcionário paquistanês rejeitou as alegações envolvendo a base de Nur Khan .
Um mediador pode conversar com os dois lados de um conflito. O que ele dificilmente consegue é manter credibilidade se passa a ser visto como alguém que protege ativos militares de uma das partes.
Esse foi o ponto sensível criado pelo relato da CBS: o Paquistão estaria funcionando como ponte diplomática, mas ao mesmo tempo oferecendo um local que poderia reduzir a exposição de aeronaves militares iranianas a ataques americanos .
Mesmo sem clareza sobre a intenção de Islamabad, a percepção é ruim. Para críticos em Washington, a medida relatada poderia parecer menos uma neutralidade calculada e mais uma ajuda prática ao Irã em um momento de risco militar.
O impacto mais claro foi na reputação do Paquistão como intermediário confiável. Relatos afirmaram que a acusação levou críticos nos Estados Unidos, incluindo o senador republicano Lindsey Graham, a defender uma revisão do papel paquistanês como mediador no conflito EUA-Irã . A The Week também noticiou pedidos de reavaliação completa dessa função após a reportagem da CBS .
Isso não significa, pelo que foi publicado até agora, que o Paquistão tenha sido formalmente afastado da mediação. A conclusão sustentada pelas fontes é mais limitada: a alegação de Nur Khan deu munição política a quem já desconfiava da imparcialidade de Islamabad e tornou mais difícil defender seu papel como intermediário neutro.
As reportagens disponíveis não estabelecem qual teria sido a política completa do Paquistão. Também não mostram, com base nas fontes citadas, que Paquistão ou Irã tenham reconhecido publicamente o suposto arranjo. O ponto central ainda se apoia em autoridades americanas não identificadas, enquanto um funcionário paquistanês teria rejeitado a alegação sobre Nur Khan .
Se o relato estiver correto, a suposta decisão de permitir que aeronaves militares iranianas ficassem na base de Nur Khan enfraqueceu seriamente a credibilidade do Paquistão como mediador neutro. O dano principal foi de percepção: um país pode manter canais com lados rivais, mas parecer abrigar ativos militares de uma das partes torna a neutralidade muito mais difícil de sustentar.
A conclusão mais segura, com base no que foi reportado, é significativa, mas limitada: a alegação prejudicou a imagem de neutralidade do Paquistão e deu a críticos americanos motivos para questionar seu papel de mediador, sem provar até agora uma ruptura diplomática formal ou a intenção completa de Islamabad .