A Nvidia divulgou mais um trimestre histórico no 1º trimestre fiscal de 2027, com receita recorde — mas o resultado também revela uma mudança geopolítica importante: a empresa praticamente não tem receita na China neste momento, um mercado onde já dominou os chips de inteligência artificial.
No trimestre encerrado em 26 de abril de 2026, a Nvidia registrou US$ 81,6 bilhões em receita, cerca de 20% acima do trimestre anterior e acima da expectativa de analistas, que girava em torno de US$ 79 bilhões.
Alguns dos números mais importantes do trimestre:
A maior parte desse crescimento vem de hiperscalers (grandes provedores de nuvem), empresas de tecnologia e projetos governamentais de “IA soberana”, que estão investindo bilhões em GPUs e sistemas de computação acelerada.
Mesmo sem o mercado chinês, a demanda global por hardware de IA continua tão forte que a empresa segue batendo recordes.
Apesar do desempenho financeiro forte, o CEO Jensen Huang reconheceu que a participação da Nvidia no mercado chinês de aceleradores de IA caiu de cerca de 95% para praticamente zero após várias rodadas de restrições comerciais.
Essa situação resulta de uma combinação de fatores políticos, regulatórios e tecnológicos.
Os Estados Unidos impuseram limites à exportação de chips avançados para a China, especialmente aqueles usados para treinamento de modelos de IA.
Isso impede a venda de muitos dos produtos mais avançados da Nvidia — incluindo GPUs baseadas em arquiteturas como A100, H100 e H200 — para empresas chinesas.
Mesmo versões adaptadas para a China enfrentam restrições técnicas ou exigem licenças especiais.
Relatos indicam que o governo dos EUA chegou a conceder licenças para algumas empresas chinesas comprarem GPUs H200, incluindo gigantes como Alibaba, Tencent e ByteDance.
No entanto, nenhuma dessas unidades havia sido entregue até o momento do relatório de resultados, o que significa que esses pedidos ainda não geraram receita.
Enquanto o acesso às GPUs da Nvidia ficou restrito, a China acelerou o desenvolvimento de seu próprio ecossistema de semicondutores para IA.
A principal beneficiada é a Huawei, que espera gerar cerca de US$ 12 bilhões em receita com processadores de IA em 2026, com forte demanda de grandes empresas chinesas de tecnologia.
Esse movimento é estratégico: quando empresas adaptam seus sistemas para chips e softwares locais, voltar para outra arquitetura se torna mais difícil no futuro.
Mesmo quando há produtos compatíveis ou licenças de exportação, as vendas dependem de duas aprovações ao mesmo tempo:
Hoje essas condições não estão alinhadas, deixando o mercado praticamente paralisado para a Nvidia.
A ausência da Nvidia na China chama atenção porque o país é um dos maiores mercados potenciais de infraestrutura de IA.
Jensen Huang já descreveu a oportunidade chinesa como um mercado que pode chegar a cerca de US$ 50 bilhões ao longo do tempo.
Antes das restrições mais duras, a China representava uma parcela relevante da receita de data centers da Nvidia e era um dos mercados de crescimento mais rápido da empresa.
Mesmo sem vendas relevantes na China, a Nvidia continua expandindo rapidamente porque a demanda global por computação de IA está explodindo.
Empresas de nuvem, startups de modelos de linguagem e governos ao redor do mundo estão investindo bilhões em infraestrutura baseada em GPUs. Essa corrida por capacidade de computação tem sido suficiente para compensar — pelo menos no curto prazo — a ausência do mercado chinês.
O maior risco para a Nvidia não é o desempenho atual — que continua extraordinário — mas sim a substituição permanente no mercado chinês.
Se empresas locais consolidarem o uso de chips domésticos de fornecedores como a Huawei, a Nvidia pode perder de forma duradoura uma posição que antes era dominante em um dos maiores mercados de tecnologia do planeta.
Por enquanto, a empresa segue crescendo em ritmo recorde. Mas o trimestre de US$ 81,6 bilhões também deixa claro um paradoxo curioso: a líder mundial em chips de IA está prosperando globalmente enquanto permanece praticamente excluída de um dos maiores mercados de tecnologia do mundo.
Studio Global AI
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A Nvidia registrou receita recorde de US$ 81,6 bilhões no 1º trimestre fiscal de 2027, superando as expectativas de Wall Street e impulsionada principalmente pela demanda global por infraestrutura de IA.
A Nvidia registrou receita recorde de US$ 81,6 bilhões no 1º trimestre fiscal de 2027, superando as expectativas de Wall Street e impulsionada principalmente pela demanda global por infraestrutura de IA. Apesar do desempenho forte, a empresa praticamente não gera receita na China após restrições de exportação dos EUA e a migração de empresas chinesas para chips domésticos.
Executivos estimam que o mercado chinês de chips de IA pode valer cerca de US$ 50 bilhões no futuro, mas hoje está praticamente fechado para a Nvidia.