Historicamente, a Nvidia dominou os aceleradores de IA com suas GPUs, enquanto o mercado de CPUs de servidores foi controlado principalmente por empresas como Intel e AMD.
Com a Vera, a Nvidia tenta capturar também essa parte da pilha de infraestrutura usada em data centers.
Huang descreve essa estratégia dentro da ideia de "fábricas de IA" — grandes data centers projetados para produzir inteligência artificial em escala. Nesse modelo, as GPUs fazem os cálculos pesados, enquanto as CPUs coordenam o ambiente de software e o fluxo de trabalho ao redor dos modelos.
Vale notar que o valor de US$ 200 bilhões é uma estimativa estratégica da própria Nvidia, não uma previsão independente do mercado. A empresa argumenta que o crescimento dos agentes de IA pode ampliar dramaticamente a demanda por infraestrutura computacional.
As CPUs usadas em nuvens tradicionais foram projetadas para tarefas comuns de servidores — como bancos de dados, aplicações web e virtualização.
Já os agentes de IA funcionam de maneira diferente. Em vez de apenas gerar respostas a partir de um modelo, eles executam cadeias de tarefas, como:
Grande parte desse trabalho acontece fora da rede neural em si, mas precisa ser executado rapidamente para manter as GPUs ocupadas. A Nvidia diz que a Vera foi projetada justamente para esse papel de orquestração.
Segundo a empresa, a CPU pode oferecer cerca de duas vezes mais eficiência e até 50% mais velocidade em cargas de trabalho relacionadas a agentes e aprendizado por reforço quando comparada a CPUs tradicionais de rack.
Arquiteturalmente, a Vera inclui 88 núcleos personalizados compatíveis com Arm chamados “Olympus”, com grande largura de banda de memória para lidar com sistemas de IA em larga escala.
A Vera não substitui GPUs. Na prática, ela atua como o sistema de controle do data center de IA.
Na futura plataforma Vera Rubin, vários chips trabalham de forma integrada em um único sistema de rack, incluindo:
Esses componentes formam um sistema completo otimizado para executar grandes serviços de IA.
Um exemplo é o rack Vera Rubin NVL72, que reúne 72 GPUs Rubin e 36 CPUs Vera conectadas por NVLink de alta largura de banda.
Dentro dessa arquitetura, a CPU tem funções como:
Esse papel é crucial porque GPUs são extremamente caras — e precisam receber trabalho constantemente para manter a eficiência máxima.
A tese da Nvidia é que a IA está evoluindo rapidamente.
Os primeiros sistemas de IA generativa basicamente recebiam um prompt e geravam texto. Já os sistemas baseados em agentes executam tarefas em múltiplas etapas, o que aumenta muito a complexidade computacional.
Alguns analistas sugerem que a demanda de computação para agentes pode ser ordens de magnitude maior que a da IA generativa inicial, porque um único agente pode chamar modelos, ferramentas e bancos de dados várias vezes durante uma tarefa.
Nesse cenário, as CPUs passam a funcionar como o "plano de controle" da infraestrutura de IA, responsável por:
Se bilhões de agentes estiverem rodando continuamente em serviços de nuvem, essa camada de CPU pode representar uma parcela significativa do mercado de infraestrutura.
A Vera também marca um movimento estratégico da Nvidia para competir diretamente no mercado de CPUs de servidores.
Intel e AMD dominaram esse setor por décadas, enquanto grandes provedores de nuvem — como AWS e Google — começaram a desenvolver seus próprios chips personalizados.
A resposta da Nvidia é diferente: em vez de vender apenas componentes individuais, a empresa aposta em sistemas completos de IA integrados.
Na arquitetura Vera Rubin, CPUs, GPUs, rede e software são projetados juntos para funcionar como uma única plataforma otimizada para cargas de trabalho de IA.
A empresa afirma que essa integração pode reduzir o custo por token de IA e aumentar o desempenho em serviços de grande escala.
Ainda não está claro se essa estratégia vencerá no longo prazo. Provedores de nuvem têm fortes incentivos para desenvolver chips próprios e diminuir a dependência da Nvidia. Mesmo assim, a empresa aposta que sua infraestrutura de IA verticalmente integrada — de GPUs a CPUs e networking — será difícil de replicar rapidamente pelos concorrentes.
A CPU Vera simboliza uma transformação maior dentro da Nvidia.
A empresa está se posicionando menos como uma simples fabricante de GPUs e mais como fornecedora de infraestrutura completa de IA, incluindo computação, rede, software e sistemas inteiros de data center.
Se a visão de Huang sobre a ascensão dos agentes autônomos estiver correta, CPUs como a Vera podem se tornar uma peça central dessa nova geração de infraestrutura digital.