Ao mesmo tempo, a energia solar atingiu um marco histórico — fornecendo um quarto de toda a eletricidade da UE em junho —, mas as próprias condições que impulsionaram a solar também criaram um perigoso déficit de oferta ao anoitecer, já que as usinas nucleares desligadas pelo calor não conseguiram fornecer a energia de base que tradicionalmente preenchia esse horário. O resultado foi um verão que serviu como um teste de estresse no mundo real para a transição energética europeia.
Em 14 de agosto de 2026, no pico da quinta onda de calor, dados da EDF mostraram que seis reatores nucleares franceses estavam completamente desligados e outros três operando com potência reduzida, cortando um total de 9,4 GW de capacidade — cerca de 15% de toda a frota nuclear do país. Este foi o menor nível de disponibilidade nuclear desde agosto de 2023 .
A causa foi direta: os rios usados para resfriar os reatores atingiram os limites de temperatura estabelecidos pelas regulamentações ambientais francesas. Quando a água descartada excede as temperaturas permitidas, as usinas precisam reduzir a potência ou desligar completamente. No início do verão, o calor já havia reduzido 4,9 GW em 16 de julho e 6,3 GW em oito reatores em 13 de julho . Os reatores Golfech-2, no rio Garona, Bugey-3, no rio Ródano, e as usinas de Saint-Alban estavam entre os repetidamente afetados . Em meados de agosto, as paralisações relacionadas a causas ambientais — incluindo uma invasão de águas-vivas que entupiu as entradas de resfriamento na usina de Blayais — chegaram a colocar mais de 20% da capacidade offline por um breve período .
A própria EDF minimizou a perda total de energia, estimando-a em apenas 1 TWh em junho e 2 TWh em julho . Mas a capacidade retirada de operação nos momentos de pico, e o momento dessas perdas, foi o que elevou os preços de mercado e sobrecarregou as operações da rede.
O impacto da onda de calor não se limitou à França. Com a oferta nuclear francesa apertada e a velocidade dos ventos na Alemanha diminuindo ao mesmo tempo, os preços spot de eletricidade europeus saltaram mais de 20%, com os preços franceses para o dia seguinte atingindo as máximas do verão . A França normalmente exporta quantidades significativas de eletricidade para os países vizinhos; com sua própria produção reduzida, essas exportações caíram drasticamente, pressionando os preços para cima em toda a Europa Ocidental.
Mais a leste, um problema diferente, mas igualmente grave, estava se desenrolando. O rio Danúbio — que fornece água de resfriamento para usinas nucleares na Romênia e na Hungria — caiu para níveis recordes. Na Romênia, a vazão do rio caiu para menos de 1.500 metros cúbicos por segundo, menos de um terço da vazão normal de julho . Isso forçou a estatal Nuclearelectrica a desligar ambos os reatores de sua usina nuclear de Cernavodă, a primeira vez que o baixo nível de água causou um desligamento completo . A Romênia declarou estado de alerta nacional, e o diretor da usina disse que não esperava uma religação nos próximos 10 dias .
Na vizinha Hungria, a usina nuclear de Paks, da era soviética — que fornece quase metade da eletricidade do país — foi forçada a reduzir drasticamente sua produção à medida que o nível do Danúbio recuava, deixando seus bocais de captação de água de resfriamento incapazes de alcançar o rio. A produção caiu para pouco mais de 10% da capacidade no início de agosto, e o primeiro-ministro húngaro alertou que um desligamento completo — o primeiro em 44 anos de operação da usina — era iminente . A Hungria evitou por pouco um desligamento total, mas operou com capacidade severamente reduzida por semanas.
A Romênia tomou medidas emergenciais sem precedentes, incluindo a detonação de um afloramento rochoso e a construção de um dique para redirecionar a água de resfriamento para seu único reator restante . As medidas garantiram alguns dias extras de operação, mas não impediram o desligamento final.
Em meio à crise, a energia solar teve um desempenho histórico. De acordo com uma análise do think tank de energia Ember, a energia solar forneceu 25% da eletricidade da UE em junho de 2026 — um recorde de 52 TWh — ultrapassando a nuclear (21%), o gás (15%), a eólica (14%), a hidrelétrica (12%) e o carvão (8%) pela primeira vez em um único mês . A geração solar em julho atingiu 55 TWh, mantendo a participação recorde .
A própria onda de calor contribuiu para esse resultado: a alta irradiância solar aumentou a produção dos painéis, enquanto o calor gerou um aumento na demanda por ar-condicionado, tornando a contribuição solar durante o dia crucial para atender aos picos de consumo.
Mas o boom solar veio com um problema estrutural familiar: a chamada "curva do pato". A energia solar abundante durante o dia cria uma queda abrupta na oferta após o pôr do sol, exatamente quando a demanda atinge o pico à noite. As paralisações nucleares induzidas pelo calor privaram a rede da energia de base flexível que tradicionalmente preenchia essa lacuna, destacando a necessidade urgente de sistemas de armazenamento em baterias de grande escala para deslocar o excesso de energia solar para o horário noturno.
A onda de calor e a seca simultâneas atingiram todas as principais fontes de eletricidade de baixo carbono ao mesmo tempo: a nuclear (limites de resfriamento), a hidrelétrica (baixa vazão dos rios), e até mesmo usinas a gás no sul da França, que enfrentaram restrições de água de resfriamento devido às altas temperaturas do Mar Mediterrâneo . A Comissão Europeia classificou a situação energética na UE como "tensa", embora tenha afirmado que não havia ameaça imediata ao fornecimento, graças às importações de países vizinhos .
O impacto financeiro também foi severo. Em 31 de julho de 2026, a EDF reduziu sua projeção de EBITDA para o ano inteiro de 2026, prevendo uma queda de cerca de 10% em relação a 2025 . A empresa, de propriedade do Estado francês, citou os baixos preços de eletricidade no atacado e as ondas de calor sucessivas que reduziram a produção nuclear e hidrelétrica . O EBITDA do primeiro semestre caiu 8,7% ano a ano, para € 14,1 bilhões . Embora a EDF tenha minimizado a perda física de energia nuclear (estimada em 1 TWh em junho e 2 TWh em julho), as paralisações de capacidade nos momentos de pico foram as principais responsáveis pela disparada dos preços e pela pressão financeira .
Ao mesmo tempo, a energia solar atingiu um marco histórico — fornecendo um quarto de toda a eletricidade da UE em junho —, mas as próprias condições que impulsionaram a solar também criaram um perigoso déficit de oferta ao anoitecer, já que as usinas nucleares desligadas pelo calor não conseguiram fornecer a energia de base que tradicionalmente preenchia esse horário. O resultado foi um verão que serviu como um teste de estresse no mundo real para a transição energética europeia.
Em 14 de agosto de 2026, no pico da quinta onda de calor, dados da EDF mostraram que seis reatores nucleares franceses estavam completamente desligados e outros três operando com potência reduzida, cortando um total de 9,4 GW de capacidade — cerca de 15% de toda a frota nuclear do país. Este foi o menor nível de disponibilidade nuclear desde agosto de 2023 .
A causa foi direta: os rios usados para resfriar os reatores atingiram os limites de temperatura estabelecidos pelas regulamentações ambientais francesas. Quando a água descartada excede as temperaturas permitidas, as usinas precisam reduzir a potência ou desligar completamente. No início do verão, o calor já havia reduzido 4,9 GW em 16 de julho e 6,3 GW em oito reatores em 13 de julho . Os reatores Golfech-2, no rio Garona, Bugey-3, no rio Ródano, e as usinas de Saint-Alban estavam entre os repetidamente afetados . Em meados de agosto, as paralisações relacionadas a causas ambientais — incluindo uma invasão de águas-vivas que entupiu as entradas de resfriamento na usina de Blayais — chegaram a colocar mais de 20% da capacidade offline por um breve período .
A própria EDF minimizou a perda total de energia, estimando-a em apenas 1 TWh em junho e 2 TWh em julho . Mas a capacidade retirada de operação nos momentos de pico, e o momento dessas perdas, foi o que elevou os preços de mercado e sobrecarregou as operações da rede.
O impacto da onda de calor não se limitou à França. Com a oferta nuclear francesa apertada e a velocidade dos ventos na Alemanha diminuindo ao mesmo tempo, os preços spot de eletricidade europeus saltaram mais de 20%, com os preços franceses para o dia seguinte atingindo as máximas do verão . A França normalmente exporta quantidades significativas de eletricidade para os países vizinhos; com sua própria produção reduzida, essas exportações caíram drasticamente, pressionando os preços para cima em toda a Europa Ocidental.
Mais a leste, um problema diferente, mas igualmente grave, estava se desenrolando. O rio Danúbio — que fornece água de resfriamento para usinas nucleares na Romênia e na Hungria — caiu para níveis recordes. Na Romênia, a vazão do rio caiu para menos de 1.500 metros cúbicos por segundo, menos de um terço da vazão normal de julho . Isso forçou a estatal Nuclearelectrica a desligar ambos os reatores de sua usina nuclear de Cernavodă, a primeira vez que o baixo nível de água causou um desligamento completo . A Romênia declarou estado de alerta nacional, e o diretor da usina disse que não esperava uma religação nos próximos 10 dias .
Na vizinha Hungria, a usina nuclear de Paks, da era soviética — que fornece quase metade da eletricidade do país — foi forçada a reduzir drasticamente sua produção à medida que o nível do Danúbio recuava, deixando seus bocais de captação de água de resfriamento incapazes de alcançar o rio. A produção caiu para pouco mais de 10% da capacidade no início de agosto, e o primeiro-ministro húngaro alertou que um desligamento completo — o primeiro em 44 anos de operação da usina — era iminente . A Hungria evitou por pouco um desligamento total, mas operou com capacidade severamente reduzida por semanas.
A Romênia tomou medidas emergenciais sem precedentes, incluindo a detonação de um afloramento rochoso e a construção de um dique para redirecionar a água de resfriamento para seu único reator restante . As medidas garantiram alguns dias extras de operação, mas não impediram o desligamento final.
Em meio à crise, a energia solar teve um desempenho histórico. De acordo com uma análise do think tank de energia Ember, a energia solar forneceu 25% da eletricidade da UE em junho de 2026 — um recorde de 52 TWh — ultrapassando a nuclear (21%), o gás (15%), a eólica (14%), a hidrelétrica (12%) e o carvão (8%) pela primeira vez em um único mês . A geração solar em julho atingiu 55 TWh, mantendo a participação recorde .
A própria onda de calor contribuiu para esse resultado: a alta irradiância solar aumentou a produção dos painéis, enquanto o calor gerou um aumento na demanda por ar-condicionado, tornando a contribuição solar durante o dia crucial para atender aos picos de consumo.
Mas o boom solar veio com um problema estrutural familiar: a chamada "curva do pato". A energia solar abundante durante o dia cria uma queda abrupta na oferta após o pôr do sol, exatamente quando a demanda atinge o pico à noite. As paralisações nucleares induzidas pelo calor privaram a rede da energia de base flexível que tradicionalmente preenchia essa lacuna, destacando a necessidade urgente de sistemas de armazenamento em baterias de grande escala para deslocar o excesso de energia solar para o horário noturno.
A onda de calor e a seca simultâneas atingiram todas as principais fontes de eletricidade de baixo carbono ao mesmo tempo: a nuclear (limites de resfriamento), a hidrelétrica (baixa vazão dos rios), e até mesmo usinas a gás no sul da França, que enfrentaram restrições de água de resfriamento devido às altas temperaturas do Mar Mediterrâneo . A Comissão Europeia classificou a situação energética na UE como "tensa", embora tenha afirmado que não havia ameaça imediata ao fornecimento, graças às importações de países vizinhos .
O impacto financeiro também foi severo. Em 31 de julho de 2026, a EDF reduziu sua projeção de EBITDA para o ano inteiro de 2026, prevendo uma queda de cerca de 10% em relação a 2025 . A empresa, de propriedade do Estado francês, citou os baixos preços de eletricidade no atacado e as ondas de calor sucessivas que reduziram a produção nuclear e hidrelétrica . O EBITDA do primeiro semestre caiu 8,7% ano a ano, para € 14,1 bilhões . Embora a EDF tenha minimizado a perda física de energia nuclear (estimada em 1 TWh em junho e 2 TWh em julho), as paralisações de capacidade nos momentos de pico foram as principais responsáveis pela disparada dos preços e pela pressão financeira .