Essa mudança gerou dois efeitos que costumam pressionar o ouro:
Com esses fatores combinados, parte dos investidores reduziu posições no metal após a forte alta do início do ano.
Outro elemento importante em 2026 é o impacto da escalada do conflito envolvendo Irã, que elevou os preços globais de petróleo e gás. Isso trouxe novas pressões inflacionárias para a economia mundial.
Normalmente, inflação mais alta seria positiva para o ouro, já que o metal é frequentemente visto como proteção contra perda de poder de compra. Mas desta vez surgiu um efeito indireto contrário.
O aumento da inflação provocado pela energia reforçou a percepção de que bancos centrais — especialmente o Fed — não poderão cortar juros tão cedo.
Isso cria uma sequência de efeitos que acaba pesando no ouro no curto prazo:
Alguns analistas descrevem essa situação como um “paradoxo do refúgio seguro”: o conflito aumenta o risco global, mas ao mesmo tempo gera inflação que fortalece a política monetária restritiva — algo negativo para o ouro.
A retração desde o pico de janeiro foi significativa:
Apesar do movimento expressivo, correções desse tipo não são incomuns após ralis fortes — especialmente quando expectativas de política monetária mudam rapidamente.
Mesmo com a correção, muitos estrategistas continuam otimistas com o ouro no médio prazo.
Um dos principais motivos é a demanda estrutural, incluindo compras por bancos centrais e investidores que buscam diversificar reservas e portfólios.
Grandes instituições financeiras continuam projetando preços mais altos ao longo do tempo. O JPMorgan, por exemplo, reduziu sua estimativa média para 2026 para cerca de US$ 5.243 por onça devido à demanda mais fraca no curto prazo, mas ainda prevê que o metal possa se aproximar de US$ 6.000 até o final de 2026 se a demanda se fortalecer na segunda metade do ano.
Outras instituições têm avaliações semelhantes, vendo a queda recente mais como uma correção dentro de um mercado de alta de longo prazo do que como uma reversão estrutural da tendência.
A queda recente do ouro mostra o quanto o metal é sensível às mudanças no cenário macroeconômico global.
No curto prazo, juros mais altos, rendimentos maiores e um dólar fortalecido estão pesando mais do que a demanda por proteção em meio às tensões geopolíticas.
Mas, se a inflação diminuir, o Federal Reserve eventualmente iniciar cortes de juros ou as tensões globais se intensificarem, esses mesmos fatores podem mudar novamente — abrindo espaço para uma retomada da alta e aproximando o ouro da faixa de US$ 6.000 por onça que vários analistas ainda consideram possível para 2026.