A reação imediata de Seul tem sido focada na gestão do risco econômico e na preservação das rotas de transporte de energia.
O Ministério do Comércio, Indústria e Energia convocou reuniões emergenciais para analisar possíveis impactos da crise no abastecimento de energia, no comércio exterior e na atividade industrial do país. Autoridades destacaram a necessidade de monitorar continuamente a situação no Oriente Médio e seus reflexos nas cadeias de suprimento domésticas.
Ao mesmo tempo, a Coreia do Sul intensificou contatos diplomáticos com diversos governos — incluindo o Irã — com o objetivo de garantir a passagem segura de embarcações e ajudar a estabilizar o tráfego marítimo na região.
O país também demonstrou disposição para contribuir com esforços internacionais de segurança marítima. O presidente Lee Jae Myung afirmou que a Coreia do Sul pretende fazer “contribuições substanciais” para garantir a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz.
Na prática, a estratégia de Seul se concentra em três frentes principais:
Até agora, a resposta tem sido mais voltada para gestão de risco e coordenação internacional do que para um grande programa econômico interno específico ligado à crise.
O Japão também está atuando em duas frentes: garantir a continuidade do transporte de energia no curto prazo e reduzir sua vulnerabilidade no longo prazo.
Um exemplo concreto foi a passagem bem‑sucedida de um petroleiro ligado ao Japão, operado pela empresa Eneos, pelo Estreito de Ormuz durante o período de tensão. O episódio foi interpretado como resultado dos esforços diplomáticos de Tóquio para manter o fluxo de importações energéticas mesmo em meio à instabilidade regional.
Ao mesmo tempo, o governo japonês tem acelerado iniciativas para diversificar cadeias de suprimento estratégicas, principalmente de minerais críticos — como lítio, cobre e terras raras — essenciais para baterias, veículos elétricos e tecnologias de energia limpa.
O Ministério da Economia, Comércio e Indústria do Japão (METI) promove acordos e fóruns internacionais para fortalecer cadeias de fornecimento mais resilientes e menos dependentes de regiões vulneráveis a crises geopolíticas.
Essa estratégia inclui parcerias com países produtores de recursos naturais e cooperação com setores de mineração em diversas regiões do mundo, incluindo países africanos e parceiros do Indo‑Pacífico, como parte de um esforço mais amplo para reforçar a segurança energética e industrial japonesa.
Como o Estreito de Ormuz é vital para o abastecimento energético global, proteger essa rota se tornou uma prioridade diplomática internacional.
Um comunicado conjunto de 26 países — incluindo Japão e Coreia do Sul — apoiou esforços para normalizar o tráfego marítimo no estreito e sinalizou disposição para utilizar recursos diplomáticos, econômicos e militares para garantir a liberdade de navegação.
Além disso, reuniões envolvendo dezenas de países discutiram possíveis operações de segurança marítima, como patrulhas navais coordenadas e ações de remoção de minas marítimas.
Para economias altamente dependentes de importações de energia, essas iniciativas multilaterais são vistas como essenciais. Um único país dificilmente consegue proteger sozinho um corredor por onde passa uma parcela tão grande da energia global.
A crise em Ormuz reforçou uma mudança importante na forma como governos pensam a política energética.
Hoje, segurança energética não significa apenas garantir contratos de petróleo ou gás. Ela depende também da estabilidade geopolítica, da proteção das rotas marítimas e da diversificação de fornecedores e matérias‑primas.
Nesse contexto, Japão e Coreia do Sul seguem caminhos complementares: enquanto Seul prioriza diplomacia e coordenação internacional para manter as rotas abertas, Tóquio aposta também na diversificação estratégica de recursos e cadeias de suprimento.
Com tensões geopolíticas persistentes em rotas marítimas críticas, essas estratégias provavelmente continuarão moldando a política energética do Nordeste Asiático nos próximos anos.