Já em meados de maio, o índice rondava 611,34 pontos em uma sessão volátil, com investidores avaliando simultaneamente as preocupações com inflação e as notícias vindas do Oriente Médio.
Esse padrão mostra que o mercado não ignora o risco geopolítico — mas também não vê, por enquanto, motivos para uma correção forte.
O fator macroeconômico mais influente no momento é o preço do petróleo.
O Estreito de Hormuz, localizado entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, é um gargalo estratégico por onde passa uma parcela significativa do petróleo mundial. Qualquer ameaça ao fluxo de navios pela região costuma provocar alta imediata nos preços da energia.
Durante a recente escalada de tensões, o Brent permaneceu acima de US$110 por barril, pressionando economias altamente dependentes de importação de energia, como as europeias.
Para a Europa, petróleo caro significa:
Não por acaso, sempre que surgem sinais de possível desescalada — ou de retomada normal das exportações de petróleo — as bolsas europeias tendem a reagir positivamente.
O encarecimento da energia reforça temores de que a inflação na Europa permaneça elevada por mais tempo.
Esse cenário influencia diretamente a política monetária. Se a inflação continuar pressionada, o Banco Central Europeu (BCE) pode ter menos espaço para cortar juros — ou até precisar manter uma postura monetária mais rígida por mais tempo.
Para o mercado acionário, isso importa porque:
Em alguns momentos recentes, a alta do petróleo reduziu as apostas de cortes de juros no curto prazo, limitando o potencial de valorização das ações.
O comportamento do euro também adiciona complexidade ao panorama.
Dados do próprio Banco Central Europeu indicam que a moeda subiu cerca de 1% frente ao dólar em determinado período, mas caiu cerca de 0,3% em termos efetivos nominais — um indicador que compara o euro com várias moedas comerciais importantes. Isso sugere que a valorização frente ao dólar refletiu mais a fraqueza da moeda americana do que força generalizada do euro.
Para o mercado acionário europeu, um euro mais fraco em termos amplos tem efeitos mistos:
Com petróleo caro, esse segundo efeito pode intensificar a pressão inflacionária.
Mesmo com a relativa estabilidade das bolsas, alguns estrategistas recomendam cautela.
Analistas do Bank of America alertam que as ações europeias podem enfrentar queda superior a 10% caso os investidores estejam superestimando o crescimento econômico ou subestimando riscos globais.
Pesquisas com investidores também apontam preocupação: muitos acreditam que uma correção pode ocorrer antes que o mercado volte a testar novas máximas mais adiante no ciclo.
Entre os principais riscos citados estão:
Nos próximos meses, alguns fatores devem determinar a direção das ações europeias.
Fatores positivos:
Fatores negativos:
Apesar das tensões entre EUA e Irã e dos riscos no Estreito de Hormuz, as bolsas europeias continuam relativamente firmes. O fato de o Stoxx 600 permanecer perto das máximas recentes sugere que investidores ainda confiam na resiliência das empresas e da economia.
Mas esse equilíbrio é delicado. Se o petróleo continuar elevado e a inflação persistir, o impulso do mercado pode perder força. Por outro lado, uma queda nos preços da energia ou sinais de desescalada geopolítica poderiam abrir espaço para novos ganhos nas ações europeias.